Agência Urbana

Arquivo de Novembro de 2009

O CAMINHO NA NOITE ESCURA, ÚLTIMA PARTE

091130a - 091130a

as duas últimas publicações celebraram joshua slocum, o primeiro que navegou ao redor do mundo sozinho em um veleiro.
para encerrar essa série, nada melhor do que um trecho do clássico de slocum que descreve suas aventuras: navegando solitário ao redor do mundo.

os faróis, temas dessa minha ’sugestão-seriada’, numa leitura apaixonada original dos 1900.

sucesso,
marcão

…………………………………..

091130b - 091130b

NAVEGANDO SOLITÁRIO AO REDOR DO MUNDO
joshua slocum

No dia seguinte, o Spray circundou o Cabo Great Sandy e, o que é evento notável em toda viagem, apanhou os ventos alíseos, e esses ventos o seguiram por milhares de quilómetros, jamais cessando de soprar, por vezes como uma tempestade moderada, por outras como uma suave brisa de verão, exceto em raros intervalos.

No topo do promontório havia um nobre farol que podia ser visto a quarenta quilômetros de distância; passando deste ao farol Lady Elliot postado numa ilha como uma sentinela, na entrada da barreira de recifes, o Spray imediatamente adentrou o canal rumo ao norte. Muitos poetas cantaram os faróis, mas será que algum poeta já contemplou um grande farol piscar diante de seu caminho, numa noite escura, em meio a um mar de corais? Somente neste caso ele terá compreendido o significado de seu canto.

Dois dias depois, o Spray, recuperando a distância perdida na tempestade, passou pelo Cabo Agulhas, na companhia do navio a vapor Scotsman, agora com vento favorável. O faroleiro do Agulhas trocou sinais com o Spray enquanto ele passava e, depois, escreveu-me em Nova York, parabenizando-me pela conclusão da viagem. Aparentemente, achou que o fato de duas embarcações tão diferentes passatem juntas pelo cabo que vigiava merecia ser registrado numa tela, e então mandou pintar um quadro. Foi o que depreendi de sua carta. Em postos solitários como aquele, corações tornam-se receptivos e solidários, até mesmo poéticos. Esse sentimento foi demosntrado pelo Spray ao longo de muitos litorais escarpados, e ter recebido tantos desses sinais gentis trouxe um sentimento de gratidão pelo mundo todo.

Sem comentários »

DANILO - GUARUJÁ, SP

esse case foi legal.

a cozINHA, apertadINHA e bastante branquINHA ficou resolvida. o cliente adorou. o colega desafogou, conseguiu entregar o projeto e a obra no prazo. tudo maravilha!

a grande anotação temporal de tudo isso foi que nesse momento se deu a transição do 3d studio para o sketch up.

deixa eu explicar melhor: a gente acredita que a única forma de garantir o entendimento de nosso serviço por parte de nossos clientes é através dos modelos.

no caso da comunicação, bonecos e simulações em geral. vale tudo: massinha [não, não o felipe], isopor, papel cartão, craft, varetas e colagens em cartolinas.

já na arquitetura, existem softwares sensacionais para a confecção de maquetes tridimensionais, que permitem a aplicação de texturas e o resultado pode se confundir [sem nenhum exagero] com uma fotografia do local.

o 3d studio que a agência usava (pilotado com maestria pelo daniel sanches) é o cara, por assim dizer. só que são mais de 3000 ferramentas entre as de construção, reflexão, iluminação e texturas. daí, tudo pronto, ainda tem o render, que seria algo como a “criação da imagem”, didaticamente falando.

o piloto do 3d studio tem que ser ninja. 3d não é para qualquer criatura não. mesmo sendo ninja, todo o processo de desenvolvimento e renderização demora, consideravelmente. imagina o “custo” desse processo, principalmente quando algumas “alterações” são anotadas e devem ser preparadas para nova apresentação e apreciação…

como a agência sempre insistiu em apresentar de forma clara, a gente lidava com o 3d e boa. até que o sketch se apresentou: desenvolvido pela google, freeware, tudo de bom.

o modelo fica pronto e, sem iluminação direcionada ou reflexão, basta orbitar, shift+print screen e lindo! tá lá o shot!

na cozinha do danilo aprendemos as primeiras ferramentas desse que atualmente é “o cara” na agência urbana. dono de uma irresistível relação custo x benefício, é a vedete de nossas apresentações.

e tem mais: lembra daquela parte do “sem iluminação direcionada ou reflexão”? a mari já tem estudado isso. aguardem!

sucesso,
marcão

Sem comentários »

CAMARÃO SECO

Um mês passa muito rápido. Assim como uma semana na Bahia. Muito pouco tempo para se conhecer tudo sobre a cozinha baiana. De qualquer forma, com a ajuda da Edilene, consegui passear pela culinária regional e aprender um pouquinho.

Portanto fim de férias especiais e começo mais experiências deliciosas na cozinha. Escolhi para harmonizar com a receita de hoje esse vídeo mais que especial. Encontro das famílias Jobim e Caymmi na casa do maestro. O tipo de ambiente perfeito para se sentir os mais diversos prazeres quase simultâneamente.

Como aperitivo, uma receitinha muito nordeste, camarão seco. Eu particularmente adoro e descobri como é fácil fazer.

Agradeço a paciência e humor das baianas Edilene, Daniele e Jô.

091128 - 091128

CAMARÃO SECO

* Ingredientes

- cem ml de azeite de dendê;
- três cebolas picadas;
- seis dentes de alho picados;
- setecentos gramas de camarão seco;
- cheiro verde (gosto);
- cinco tomates maduros picados;
- coentro (gosto).

** Como fazer?

Fritar no azeite de dendê a cebola e o alho. Acrescentar o camarão e refogar por 10 a 15 minutos.
Acrescentar os demais ingredientes e cozinhar até secar.

** Dica

Use este prato como recheio de acarajé, na salada de folhas verdes ou apenas como aperitivo.

Até a próxima mistura!

2 comentários »

HISTÓRIA DA PUBLICIDADE NO BRASIL – PARTE 3

091127 - 091127

Vamos para a terceira e última parte da história da publicidade no Brasil, disponível no site da Cásper Líbero, uma das mais conceituadas instituições de ensino superior do nosso país.

Para ler a primeira parte, clique aqui.
Para ler a segunda parte, clique aqui.

Boa leitura.
Até a próxima!

•••

“A Televisão irá trazer um novo impulso para a já sofisticada publicidade brasileira, criando mais um veículo para a divulgação de produtos e de campanhas. A partir de 1950 com a TV Tupi, inaugura-se uma nova era eletrônica e são, mais uma vez, as agência de publicidade como a McCann Erikson e a J. W. Thompson que irão trazer o “know-how”, criando, redigindo e produzindo programas e comerciais de televisão ao vivo. As “garotas propagandas” ganham fama e prestígio e as mais importantes foram Idalina de Oliveira, Meire Nogueira, Wilma Chandler, Odete Lara, Maria Rosa e Neide Alexandre.

Os anúncios são principalmente de eletrodomésticos, produtos para as donas-de-casa, alimentos e automóveis. Neste momento um bom profissional de criação chegava a trabalhar para diversas agências ao mesmo tempo, e uma mesma agência podia fazer a campanha política de diversos candidatos. O crescimento econômico e industrial do país refletia-se no crescimento das agências e do mercado de publicidade e propaganda.

São Paulo é o principal centro de produção de publicidade e propaganda, e muitos profissionais do Rio de Janeiro - capital do país no período - migram para as agências paulistanas com a finalidade de atenderem os setores em crescimento, principalmente o automobilístico que promove fortes campanhas e concorrências (Jeep, Volkswagen, Ford, GM, Chevrolet). Um reflexo do crescimento do setor publicitário é o surgimento da Revista Propaganda que tratava de assuntos do setor e tinha seus artigos assinados por grandes nomes da propaganda brasileira.

A indústria cultural se consolida no país e a mídia cresce e se aperfeiçoa rapidamente. A programação e os anúncios ao vivo da televisão serão substituídos rapidamente com a chegada do VT (Vídeo Tape) permitindo que as agências criassem e produzissem uma publicidade muito mais sofisticada. E, do ponto de vista de criação e originalidade, podemos dizer que as década de 70 e 80 representam a fase áurea da publidade brasileira. Nas agências aparece pela primeira vez, as duplas de criação trazidas do exterior por Alex Periscinotto, as premiações em festivais internacionais se iniciam em 1972 com o primeiro Leão de Ouro em Cannes com a peça “Homens com mais de 40 anos” de Washington Olivetto (DPZ). As agências brasileiras se multiplicam e profissionais como Duailibi, Petit, Zaragoza, Washington Olivetto, Alex Periscinotto, Geraldo Alonso, Marcello Serpa, Nizan Guanaes e Márcio Moreira entre outros, ganham renome internacional. A publicidade brasileira passa a ser considerada uma das melhores do mundo sendo o seu maior reflexo o número de premiações que as agências brasileiras alcançam nos festivais internacionais.

Aparados pela lei 4.680 de 1965, que determina uma remuneração para as agência de 20% das verbas investidas pelos anunciantes na mídia, o setor de negócios da publicidade e propaganda se consolida e torna-se cada vez mais sofisticado em termos de criação e uso de tecnologias. Durante todo o período da Ditadura militar (1964-1984) o setor cresceu sem grandes crises ou conflitos. No final do período, a crise econômica e os movimentos políticos irão se refletir no setor, levando-o a “apenas sobreviver nos dez anos seguintes” como nos informa Pyr Marcondes.

O final do século XX marca uma nova configuração econômica no mundo, a globalização, irá obrigar o mercado a posicionar-se de forma diferenciada e este fato exige das agências uma reestruturação em termos de ganhos e de atendimento a seus clientes. Redução de quadros, de ganhos e maior maturidade do setor são as principais mudanças ocorridas. Este fato, permite um salto na criatividade publicitária nacional alçando o país à condição de terceira potência mundial em criação publicitária na década de 90.

A propaganda hoje, é responsável pelo sustento de boa parte da mídia e é inseparável do setor de negócios e de produção, sua maturidade e capacidade de adequar-se às novas realidades que se constituem através de todo o século XX é que a transforma em um dos bons setores de negócios do país. O exigente público brasileiro - acostumado com a alta qualidade e profissionalismo que se imprimiu às peças publicitárias veiculadas na mídia - é também responsável pela exigência de profissionais cada vez mais qualificados e preparados para atuarem neste setor.”

Fonte: http://www.facasper.com.br/pp/site/historia/index.php

1 comentário »

CAMPANHA DA TAME AIRLINES

091126 - 091126

Para o post de hoje, fiquei procurando por algo bacana para compartilhar com as criaturas que freqüentam nosso humilde espaço. Graças a um grande amigo meu, um tal de Google, achei uma campanha sensacional feita para um companhia aérea do equador.

Para promover as viagens realizadas pela Tame Ecuador Airlines, a agência La Facultad abusou [em um ótimo sentido] da critividade para criar nove imagens, que podemos descrever no mínimo como ‘curiosas’ e muito bem trabalhadas, utilizando elementos centrados em tradição, esporte, música e claro, cultura.

Fantástico!

A equipe critiva responsável pela criação é composta por: Sebastián Villagómez, Germán Andrade, Santiago Zumárraga, Xavier Prado, Andrés Freile e Diego Jarrín.

Mas vamos ao que interessa, às imagens…
Até a próxima!

091126A - 091126A

091126B - 091126B

091126C - 091126C

091126D - 091126D

091126E - 091126E

091126F - 091126F

091126G - 091126G

091126H - 091126H

ps: clique nas fotos para visualizar a arte inteira

2 comentários »

BONECOS DE PAPEL

091125D - 091125D

No post de hoje vou falar um pouquinho sobre a febre dos bonecos de papel ou toy-art (descobri a tal febre agora). Esses dias vendo TV, peguei o finalzinho de um programa que nem sabia q existia chamado Fiz MTV, não entendi direito o que era, mas gostei muito da reportagem que falava do designer gráfico Carlo Giovani. Ele tem vários trabalhos em stop motion na TV a maioria deles feitos com papel. Imagina que o cara contou a historia da criação do mundo em 10 capítulos com bonecos de filósofos e químicos todos muito perfeitinhos. Tem outros trabalhos mais simples, como essa caixinha de chá ,mostrando que com criatividade é possível fazer de algo simples ser divertido.

091125 - 091125

O site do artista é http://carlogiovani.com e têm outros trabalhos interessantes, clipes, comercias, até um infográfico de como se forma o cocô na barriga?!?!?!..

Mas voltando ao assunto dos bonequinhos, aqui na agencia tb temos nossos bonequinhos de papel confeccionados pela irmã do Bruno, a Renata (nada meigos por sinal). E comentando com o Bruno do artista ele me indicou vários sites sobre o assunto (aí descobri a tal febre). Em um deles (http://www.cubeecraft.com) encontra-se uma infinidade de modelos dos personagens mais inesperados para vc imprimir, cortar e montar o seu.

091125E - 091125E

091125C - 091125C

Em outro você pode encomendar o seu próprio toy-art (http://papertoyart.blogspot.com). Da até para fazer aqueles famosos bonequinhos de bolo de noiva.. de papel!

091125F - 091125F

091125G - 091125G

091125H - 091125H

091125I - 091125I

091125J - 091125J

091125K - 091125K

091125L - 091125L

091125M - 091125M

E por falar em bonecos, ontem fez 18 anos da morte do Freddy Mercury (Queen). Em homenagem fiquem com essa versão (muito boa) de Bohemian Rhapsody com os Muppets.

4 comentários »

AMBIENTE DE DESCOMPRESSÃO

091124 - 091124

Criado para transmitir tranqüilidade, paz, descanso, sensação de relaxamento e aconchego, a Sala de descompressão é o ambiente desenvolvido para ajudar a combater o alto nível de estresse dos funcionários, dentro da própria empresa.

Aqui na Agëncia Urbana, trabalhamos em um “Ambiente de Descompressão”, confesso que no inicio estranhei tanta descontração, mas com o tempo entendi que a criatividade e produção ganham muito, porque acordo com saudades das criaturas, e nada é mais gostoso do que passar o dia ao lado de pessoas queridas em um ambiente tranqüilo e cheio de idéias, além de cervejinhas e chocolates.

091124A - 091124A

A sala de descompressão torna o ambiente de trabalho mais agradável, ajuda na interação dos funcionários e possibilita maior bem-estar físico e mental.

Os espaços ajardinados no interior das empresas deixam de ser meramente decorativos, quando criamos praças de convivência que propiciam contato com a natureza e que funcionam como um eficiente antídoto contra o estresse desenvolvido pelos seres humanos em seu dia-a-dia.

A instalação da sala de descompressão mostra-se extremamente positiva e são inúmeros os benefícios, como:
-Melhora a capacidade de concentração e produtividade durante as atividades,
-Momento de reequilíbrio
-Integração entre os funcionários
-Satisfação dos funcionários para com a empresa.

091124B - 091124B

Para criar uma sala de descompressão, você pode utilizar de algumas sugestões, como:

- Cromoterapia;
- Aroma terapia;
- Poltronas, pufes, almofadas, sofás extremamente confortáveis;
- Interatividades: vídeo game, jogos, - Aparelho de som;
- Máquinas de bebidas expressas;
- Revistas, jornais
- Instrumentos musicais, entre outros.

Enfim, lembrar que não somos máquinas de produção, que o ser humano precisa de atenção, e o contato com a natureza aumenta nossa capacidade de concentração.
Com isto, ganhamos nós e nossas empresas!

texto: ana rios

5 comentários »

O CAMINHO NA NOITE ESCURA, PARTE II

091123a - 091123a

celebrando joshua slocum, na última publicação o destaque para o primeiro de três textos que transbordam lirismo num tributo aos solitários indicadores fincados no litoral do planeta: o farol que foi embora. jorge fraga origina o farol de santa marta, em laguna, sc.

essa semana noronha, com xico sá.

sucesso,
marcão

……………………………

091123b - 091123b

A NÁUFRAGA DO AMOR E DA SORTE
xico sá

Jonas, primo sertanejo do Vale do Pajeu, mal havia visto o mar direito quando desembarcou no arquipélago de Fernando de Noronha para morar com um tio, Ezequiel, este sim velho lobo-marinho, experiente faroleiro local com vinte e cinco anos de ofício. Ezequiel já havia visto todas as coisas deste mundo na sua mira noturna. As que existem à vera e as inventadas pelos nativos que se alimentam de ficções avulsas e clandestinas. Um homem de farol vê, mas um homem de farol sobretudo sonha, como me soprou o velho Conrad.

Não há homem de visão que veja mais longe. Se ele enxerga ou ele acredita, não temos nada a ver com isso, eles, o homem e o mar, que se virem no embate possível das suas ondas.

Jonas saiu do Recife em um teco-teco da FAB, a Força Aérea Brasileira. Voado também nunca havia. Nem em sonho, como todo garoto em fase de crescimento. Por isso tão gabiru e atarracado. Nem para sonhar esse menino presta, blasfemava a mãe, desejosa para esticar o filho em pelo menos um palmo.

No dia em que Jonas chegou, aquela festa, o tio, a tia, as meninas, os meninos, viva, Jonas, o homem que não conhecia o mar direito, Jonas estranhão no paraíso, meu Deus, que é isso, tudo meio escuro, só um farolzão aceso lá no alto, nem um forró ao longe, como ouviria tantas noites depois.

Ezequiel, bruto, não amaciou na diplomacia: “É isso que o jovem está vendo, depois não me venha com queixas. O que disse no chamado da carta é o que simplesmente avista. Nem mais, nem menos.”

Fernando de Noronha, não havia dúvidas, era um céu na terra para os turistas, ão para um matuto que jamais mergulhara em águas salgadas, não para um homem dos sertões onde havia um sol para cada vivente e nada de novo debaixo dele. Bem que Ezequiel alertara o rapaz no convite. Era bem-vindo, no arquipélago não morreria de fome ou necessidade, mas que chegasse disposto à solidão, ao silêncio e ao trabalho.

Tudo que Ezequiel queria era um homem de confiança, um homem barato, quase de graça, para ficar de botuca no farol enquanto ele tomava as suas cachaças, cumpria o vício do jogo de baralho e pulava a cerca, temido lobisomem, em busca da pele macia de todas as ilhas.

Jonas ouviu com muita atenção as orientações do tio. Ouviu direitinho, aprendeu o prumo, a mira, o bambolear dos navios na costa, os perigos, e até ficou sabendo como os potentes pesqueiros japoneses roubam nossos peixes para os sushis mais geniais do planeta. Então Ezequiel folgou geral. Ficava só de tocaia ao longe, sem a responsa de sempre. E Jonas subia ao farol com moral, donde um sertanejo via os amres como se fosse a autoridade-mor do pedaço.

Até que certo dia avistou, desconsiderando as visagens anteriores das noites de lua cheia, uma moça deblaterando na água como uma sereia em apuros.

Uma moça muito branca.

Jonas era um caboclo retinto de sol.

Como se fosse uma alma perdida bem longe nos mares.

A moça branquíssima gritava e as ondas nas pedras traziam o desespero dela de modo a rachar o silêncio de Noronha em gumes.

Jonas mal sabia nadar, a não ser uns rasos mergulhos em sertanejos açudes, mas danou-se, talvez comovido com a branqueza agoniada da moça, era o seu sonho de mestiço, acontece.

Atirou-se no despenhadeiro logo diante do farol, o peste, meu Deus!

No que a moça o alcançou antes que ele ameaçasse suas braçadas de homem forte, porém inadequado naquela imensidão azul. Era capaz e bom, o Jonas, na aste de roçar, brocar e plantar mais algodões do que toda a espuma branca daqueles mares, não dentro d’água. Mesmo assim, arrastou a galega para a terra firme. No que a moça foi ficando cada vez mais formosa e bela, mesmo desfalecida. No que Jonas tentou uma respiração boca-a-boca, por via das dúvidas.

A galega estava vivíssima.

Daí largou o farol, mais uma vez, e tentou chamar atenção do primo Ezequiel batendo à porta de sua casa:

- Ezequiel, filho de rapariga, acorda desalmado, se não for a Alamoa, será a mulher da minha vida, me ajuda, gota serena!

O susto, e, claro, o alumbramento de Jonas, fazia todo o sentido do mundo.

Desde que chegara a Noronha ouvia falar da tal Alamoa, ou Alemoa, uma belíssima e encantadora galega que surgia na noite a atrair pescadores e viajantes. Seu poder de sedução era infalível. A voz mais tentadora. Até então ninguém, pelo que se dá conta, fora capaz de recusar o chamado. Como se não bastasse ser bela, andava nua, como uma deusa primitiva.

O mais terrível, porém, é saber que a beleza ofuscante da loira atrai a criatura para a pedra do Pico, a 321 metros de altura, seu esconderijo. Uma vez à porta da morada, quando o afogueado sujeito imagina a melhor das noites na alcova, o corpo da vênus é tomado por um mal-assombro sem fim. No lugar dos olhos, apenas dois buracos de caveira. Os homens que caem no conto da perfeição e da beleza, jamais retornam aos seus lares.

Tudo acontece às sextas-feiras, quando a pedra do Pico se abre como uma porta e uma luz incandescente domina a escuridão daquela ilha. A Alamoa, pelo que contam os pescadores de Noronha, é uma fada que depois da ocupaç˜åo batava, século XVII, adotou a sedução macabra como vingança contra os forasteiros.

De tanto ouvir essta história, ladainha que faz parte dos conselhos e alertas preliminares do anfitrião Ezequiel, Jonas temia que a náufraga pudesse ser a loira misteriaos ou uma nova versão do mal-assombro. Por isso tratou de conduzi-la, enquanto podia, à casa do tio.

Maruschka não era propriamente loira. Estava mais para ruiva, embora não escapasse de ser chamada de galega, como acontece a qualquer gente mais branca e estrangeira que se dá em terras do nordeste brasileiro.

Em beleza, a moça de Holanda nada devia à Alamoa e de nada também adiantava dizer que era holandesa - não alemã, como convencionou-se chamá-la na principal das ilhas do arquipélago. Nem o inglés falado pelos donos das pousadas conseguia intermediar o entendimento entre as partes.

Maruschka, navegante solitária, escapou de tubarões e de outros perigos daqueles mares depois que o seu barco naufragou nas imediações de Fernando de Noronha, seu sonho de viagem depois de uma desilusão amorosa em seu país.

Não apenas por tê-la salvado, mas por uma paixão selvagem mesmo, encantou-se por Jonas, com quem divide hoje as atividades no farol. Foi no farol, aliás, de onde Jonas a enxergou em agonia sobre as águas, que conceberam todas as sete crianças. Maruschka ainda quer mais um, pelo menos, quem sabe para se vingar do ex, um malthusiano intransigente que se recusava a ter filho - um dos motivos cruciais do fim do relacionamento.

Maruschka ri da fada Alamoa e ainda hoje finge assombrar o seu Jonas em noites de lua cheia. Besta, Jonas ainda cai na brincadeira. As gargalhadas do casal, lá do alto do farol, tomam toda a ilha e espalham prosperidade e sorte no amor a quem as escuta.

Dos sete filhos, uma mulher, Ruth, adora espionar os mares. Por gosto próprio, desde que se entendeu por gente e ouviu a história da mãe, será a primeira mulher a comandar um farol. Mais ainda falta algum tempo e essa outra história só pode ser contada depois.

Sem comentários »

F1 FULL THROTTLE!

091122 - 091122

enquanto o tio marcão não decide se publica ou não o espacinho de f1 da agência urbana, as novas que acompanhamos dia-a-dia vão dar uma enchida-de-linguiça, por assim dizer, nesse momento consciência-negra-vadiando-sem-concluir-mais-um-videozinho-de-portifólio.

para quem acha que a fórmula um só volta em março de 2010… ela nem foi ainda!

vê só:

- a mercedes comprou 75% da brawn gp, que, por motivos óbvios agora chama mercedes gp;
- button assinou por 3 anos ao lado do hamilton na mclaren-mercedes;
- sim, maclaren ainda é mercedes. pelo menos até 2011 por conta de 40∞ da damien;
- kimi poderia correr pela brawn junto com nico rosberg;
- segundo o jornal the daily telegraph, schumacher também;
- segundo o empresário do kimi ele passa 2010 disputando rally, pela citroën e só volta em 2011 isso SE rolar um carro competitivo;
- segundo o bruno [não o senna, o da agência mesmo], é esquema de negociação do desmanche de contrato com a ferrari. ele ganharia mais parado que contratado;
- a sauber quer a vaga da toyota. a compra da escuderia pelo grupo qadbak só será sacramentada com a garantia da vaga;
- todas querem de la rosa: a usf1 [que tá esperando o hermano argentino jose maria lopes juntar grana suficiente pra comprar o direito de tocar o monoposto], a campos-meta do bruno [senna, não o da agência] e a manor tão interessadas em tirar o cargo de piloto de provas da mclaren do já nem tão garotão;
- parece que a williams promete. nico, piloto inconsistente [por outro lado, muito mais leão de treino que o webber], provou que o carro esteve “no jeito” em 2009. some-se ao fato do barrica vir como o único piloto remanescente da época do não-reabastecimento. some-se ainda o fato do frank “linha-dura” williams tem vendido uma [ainda que pequena] parte das ações da escuderia pro toto, empresário-sabonete [liso-liso] e piloto de rally. tudo isso para + grana e + possibilidades. até pq já tá na hora da boa-onda pra velha e boa williams, certo?
- apesar do abaixo assinado pelo barulho incômodo dos f1 uma vez por ano na bélgica [deve ser alguma comundade daqui de santos que mudou pra lá depois de aceitar a sugestão do nosso amado blog e mudar para longe daqui, fugindo do absolutamente insuportável barulho causado pelos ‘apitos” dos navios de cruzeiro], o lendário spa-francorchamps tá melhor na foto que a inglaterra. ao contrario de donington park e silverstone, já conseguiu garantir os monopostos alinhando em seu grid na próxima temporada;
- voltando ao button, ele não foi pra mclaren pela grana. foi pelo desafio. né?
- trulli tá entre a nascar e a lotus; nessa temporada ele ainda acerta a orelha de um.
- nelsinho, se voltar, vai tomar muito pescotapa da pilotada. vai concorrer com o sílvio santos o título de detentor da vergonha-alheia. pelo menos por uma temporada vai;
- agora: mais divertido que esperar o /f1 daqui da agênica urbana é ler por aí as especulações de relacionamento entre felipe e alonso, button e hamilton e seja-lá-quem-for na mercedes gp…

e aí? ainda acha que a f1 só VOLTA em 2010?

sucesso,
marcão

Sem comentários »

CARURU

É com a querida Rosa Passos (de quem sou fã de carteirinha, tive o prazer de conhecer pessoalmente e conversar bastante durante o show de lançamento de seu cd Romance, aqui em Santos no ano passado) que apresento a terceira receita do “Mês Bahiano”.

Outro dos pratos mais típicos da Bahia, o Caruru tem nome e tempero de origem africana. É um prato à base de quiabo bem picadinho, camarão seco e azeite de dendê e temperos. Conta-se que era preparado nas senzalas na época da escravidão. Hoje é usado nos terreiros como oferenda para os orixás e nas casas como uma delícia da culinária baiana. Toda sexta feira, esta iguaria é encontrada na maioria dos restaurantes de Salvador com o nome de “comida baiana” e nas residências de origem Católica, Camdomblé e Umbanda.

091121 - 091121

** Ingredientes

- um quilo de camarão seco;
- meio quilo de amendoin;
- duas colheres de coentro picadinho;
- uma cebola grande picada;
- meio pimentão vermelho picado;
- dois dentes de alho socados;
- quatro tomates médios picados;
- duas colheres (sopa) de azeite de dendê;
- meio quilo de quiabo picados;

** Como fazer?

Descasque, limpe e deixe de molho de um dia para o outro, os camarões secos. Moa-os num moedor e guarde-os na geladeira. Deve render três xícaras mais ou menos. Camarão fresco cozido pode ser usado, mas não precisa ficar de molho.

Remova a casca vermelha do amendoim. Torre ligeiramente no forno. Moa os amendoins. Deve render pelo menos duas xícaras. Reserve para usar depois.

Misture numa tigela grande, o coentro fresco picadinho, a cebola, o pimentão, alho, tomate e o azeite. Misture com o camarão moído, os amendoins moídos, três xícaras de água e o quiabo já cozidos.

Leve ao fogo e mexa bem por aproximadamente quinze minutos.

Até a próxima mistura!

1 comentário »

Próxima Página »