Arquivo da categoria ‘21. comportamento’
QUE SERÁ, LÁ FORA?

saudade é como solidão acompanhada,
é amar um passado que ainda não passou.
é recusar um presente que nos machuca,
é negar o futuro que nos convida.
saudade é sentir que existe o que não existe mais,
o inferno dos que perderam,
a dor dos que ficaram para trás,
o gosto de morte na boca dos que continuam.
saudade é ser, depois de ter.
talvez esse sim, o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
sorte: o tempo não pára.
só a saudade, urgente, faz as coisas pararem no tempo.
por fim, conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te.
vá, vôe e veja.
AND SO THIS IS CHRISTMAS…

pro ano novo todo mundo tem o que desejar, né? desde o blasée “tudo de bom, paz e prosperidade” até o bem mais sincero “orgasmos, grana, viagens e eventuais tonteirinhas alcoólicas”.
beleza.
e pro natal? qual é a boa?
nessa época de sorrisos, panetones, presentes, perús, missas e pouquíssima reflexão, vou deixar uma anotação natalina um pouco, digamos, rock’n'roll para as criaturas queridas que se utilizam, orbitam ou vagam pela agência urbana, ok?
primeiro me permitam vomitar letrinhas sobre tolerância.
desde as religiões até as polícias, prega-se a tolerância: tomou na cara? apresente a outra face.
o caso é que vivemos tolerando. toleramos os carros parados na frente de nossas garagens, toleramos os parados nas vagas reservadas para portadores de deficiência, toleramos gente que fura fila, toleramos a globo, toleramos funk carioca, toleramos o presidente da república, toleramos gente que joga lixo na praia, gente que joga lixo pela janela do carro, gente que joga lixo pela janela de casa. toleramos gente. toleramos atendimento de merda em lojas, restaurantes e postos de serviço público, toleramos atrasos, diagnóstico errado, carne dura, produto vencido, gps que não acha o satélite e manchetes políticas. toleramos a velocidade da internet, toleramos os apagões, toleramos os guardadores de carro, toleramos burrice.
toleramos até coisa que não se faz.
ancorados na máxima: “fazer o quê?”, toleramos e continuamos tolerando.
é nobre até; e chama paciência: a maior das virtudes. o que acredito é que essa “brigada universal pelo estopim apagado” seja importante para o mundo não se encontrar num cataclisma comportamental. né?
de qualquer forma custa. e custa caro.
custa tanto que nosso nobre universo pleno de tolerância muitas vezes parece se traduzir tão somente em impunidade, excessos e recorrência.
resumindo: equilíbrio. essa é a nota que a agência urbana quer deixar como desejo de natal:
equilibre sua tolerância.
sabe como? assim, ó:
fez merda? compense.
mas compense com qualidade e certeza da compreensão da tal compensação. o que eu vejo por aí enquanto compensação é a palavra “desculpe”. ela vem como num encantamento, como uma palavra mágica: ao proferi-la, toda a merda feita é abduzida num piscar de olhos e retoma-se o dorme-acorda ritmado até o final dos tempos [ou a próxima cagada]. é tão lamentável que dá tédio. medíocre.
esforce-se! afinal de contas, você fez merda.
tolerou merda dos outros? exija compensação. ou passe.
mas exija com eficiência. exija até que o entendimento de tal compensação seja suficiente para que, quando a “cobrança” se apresentar como coleção de vícios comportamentais ou recorrência, você não se sinta medíocre.
agora: não está em condições nem tampouco “com saco” de exigir? passe. desista. abra mão. só não permita que nuvens brancas passem em brancas núvens. some com o universo, produza comportamento, seduza, colabore no desenvolvimento sensorial das criaturas que usam, orbitam ou vagam ao seu redor. não consuma e durma. sirva para alguma coisa.
lembro de uma frase do millôr. ácida, para variar, era mais ou menos assim: “natal é aquela época onde algumas famílias são obrigadas a ficar se abraçando e elogiando o perú com farofa. acho que jesus cristo não iria curtir tamanho enfado em seu aniversário.”
enfim: equilibre sua tolerância.
feliz natal!
sucesso,
marcão.
MATEMÁTICA, FAIL!

muito tenho falado sobre mediocridade e falta de interesse. tanto que já estamos achando meio medíocre esse assunto.
de qualquer forma, me sinto motivado a continuar nessa bravata contra a burrice:
faz pouco tempo, na padoca, fechei a conta do café da manhã: que custou 5,60. entreguei à caixa 10 e recolhi dos bolsos 60 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. ela pegou o dinheiro e ficou olhando para mim, aparentemente sem saber o que fazer.
tentei explicar que ela tinha que me dar R$ 5,00 de troco, em vão. até a balconista tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.
me dei conta que realmente estamos perdidos no quesito raciocínio. meu pai estudou em meados de 1945. imaginam os “problemas” dos dias atuais?
1950:
um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. o custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda. qual é o lucro?
1970:
um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. o custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. qual é o lucro?
1980:
um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. o custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00. qual é o lucro?
1990:
um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. o custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00. escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00
2008:
um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. o custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00. está certo?
( )sim ( )não
2010:
um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. o lucro é de R$20,00. coloque um X ao lado do R$20,00.
( )R$20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00
sucesso,
marcão
ÉTICA x POLÍTICA (?)

muito se tem discutido sobre enfrentamentos. desde a cena do sarney [versus] a apatia do povo brasileiro, a cena do povo argentino [versus] a continuidade do populismo, a batida do nelsinho piquet em cingapura sob ordens do briatore [verus] a ética esportiva e o fair-play. ética [versus] política. será possível?
olhando daqui do meu singelo horizonte de arquiteto, totalmente sensorial, sonhador e comprometido em não me deixar completar por um imensurável pessimismo frente ao ser humano, acho que não.
seria como sugerir ao lance armstrong [sete vezes campeão do tour de france] um enfrentamento com michael schumacher [sete vezes campeão mundial de fórmula 1]. duas ferraris perfeitamente iguais. schumacher e lance. parece possível? ou então ao contrário: duas treks prefeitamente iguais. ética e política, política e ética. daqui, do olhar do arquiteto: impossível.
nelsinho bateu porque briatore mandou. não devia ter batido ou não devia ter aceitado? devia ter feito como o barrichello que [mostrou] ao mundo a política da ferrari ou devia ter recusado assinar um contrato de segundo piloto? se a ética esportiva [na fórmula 1] permite a política de dois carros [e pilotos] por escuderia, o que é permitido, ou melhor, qual é o limite para [ajudar] sua equipe?
aproveitando o exemplo anterior, vamos lá: no tour, a função de cada um da equipe é muito clara. tem o escalador, o sprinter, o gregário e assim por diante. todos participam da prova própriamente dita, mas apenas entre um e três esportistas da equipe lutam diretamente pela camiseta amarela e pela vitória. e na fórmula 1? como funciona? se vale tirar o pé para o schumacher ganhar a prova [justo, se considerada a pontuação no campeonato e principamente a assinatura do tal contrato de segundo piloto] não vale bater para entrar o safety-car?
se já está difícil discutir a [ética], fato que quando entra a política, os argumentos depencam para a baixeza num curtíssimo espaço de tempo. me refiro ao senado? não, ainda não. continuo na fórmula 1. briatore declarou que tudo começou porque nelsinho piquet é homossexual. estaria vivendo com um parceiro em paris e o nelsão teria pedido à ele [briatore] para [resolver o problema]. que problema? quem perguntou?
nos meandros da política esse é um dos melhores clássicos do tipo: sim, você é um idiota! frente à um escândalo, cita-se [ou cria-se] outro fato para distrair a mídia que tem como foco o público que se amarra em baixezas [você conhece alguém?] e negociar o escândalo primeiro.
indivíduos com um certo bom senso e um mínimo de noção de cidadania [você conhece alguém?] entende que o problema não é o senado, sarney, petrobrás ou briatore. nosso modelo democrático por não ser nati-morto, nasceu, por assim dizer, falido.
[já] no século IV a.c., platão apontava o [pecado original do modelo democrático] descrevendo o adotado por péricles, o primeiro e maior governante democrático da história [por 33 anos consecutivos]. a história se repete.
e qual o modelo? aquele que permite a [qualquer um] o que não poderia ou ao menos não deveria ser tarefa para [qualquer um]. e, mesmo durante o exercício [ou mandato, se preferirem], este modelo não consegue sequer medir a capacidade desse [qualquer um] para o exercício da política.
não há exceções. não existem eleições ganhas por idealismo, competência, liderança e muito menos por vocação. existe sim eleição comprada para atender interesses de grupos sempre privados e a simples vaidade humana.
ao menos critérios pré-estabelecidos deveriam ser usados para certificar se um indivíduo tem condições mínimas para o exercício de um mandato.
de qualquer forma, a política sempre será a política. ainda mais se o poder econômico traduzido na compra de votos e o [carisma] do candidato seguirem incessantemente decisivos mesmo quando se apresente uma remota possibilidade de vocação manifesta e do entendimento do melhor significado de política: o caminho para a realização plena e justa de uma nação e do homem, enquanto indivíduo-cidadão.
há política em todo o lugar, absolutamente. das casas de governo ao esporte passando pelas empresas, lojas e lares ao redor do planeta. negociou? fez política.
nesse universo de desrespeito a [quase] toda e qualquer lei e principalmente no país que descreve a máxima: toda regra tem uma exceção, pode se fazer imprescindível o radicalismo. enquanto plano-política, poderia se definir que cada escuderia participe da fórmula 1 apenas com um carro e um piloto.
radical? sei lá, mas pode resumir a necessidade de bom-senso na discussão e principalmente no exercício diário da ética.
alguém aí quer falar de ética?
sucesso,
marcão.
TEMPO x DISCIPLINA

não deu tempo; a vida é o que acontece enquanto fazemos planos; cara, muita correria; estou numa loucura; já estamos no fim-de-ano…
ouço as de cima e variações das mais diversas, sine qua non, sempre que converso com… qualquer pessoa!
li um estudo (daqueles bem complexos) publicado em algum desses sites de pensadores e cientistas, dizendo que a terra teve seu eixo alterado por conta das construções, alterações, variações e abusos. por fim, as 24 horas do dia, apesar de ainda significarem o período de exposição ao sol durante a translação e blá, blá, blá… não tem mais 24 horas.
eu avisei que era complexo!
não quer dizer que o relógio tá louco. lembram aquela definição de “presente” de santo agostinho? (e olha que não é nada fácil tentar definir o presente… pense e tente!) o presente é a menor fração do tempo possivel na qual o futuro se transforma em passado.
pensa nessa fração. pensou? então… o estudo diz que o “valor” dela diminuiu. e apesar do dia continuar tendo 24 horas, elas são significativamente menores do que anos atrás.
seja como for, tempo é tudo. pequenas frações de espaço não-linear onde você obedece e planeja (ou não) o período entre seu nascimento e o game over!
cada semana que passa, recebo uma mensagem desesperada de fornecedores, clientes e colaboradores registrando: não consegui, não tive tempo, está atrasado, putz, mando na semana que vem… ou algo que o valha!
primeiro devo dizer que é um privilégio absoluto poder contar com a colaboração de tanta gente bacana. especialmente aqui no blog, gente que tem prazer de doar informação, conhecimento e, principalmente, experiências sensoriais. falando no nosso bloguinho, eu devo dizer que “nószinhos” daqui, ínfimos mortais, não temos o objetivo de parecer opressivos ao “contar” com a colaboração semanal. o que a gente quer (e muito) é fazer transbordar letrinhas e registros (principalmente as sensações) de quem vive dando um certo pouco caso para isso. não por levianidade… mas pelo simples fato das exigencia$ diária$ de certa forma des-incentivarem a produção de material criativo-pessoal e registros - como um diário onde vc possa voltar a consultar dez anos depois e, não só lembrar das texturas daqueles tempos, como também introspectivamente questionar em qual estágio o seu processo evolutivo anda!
enfim… único remédio contra a velocidade implacável do tempo? (difícil, né? mas pode apostar) DISCIPLINA.
agenda e comprometimento com ela. equilíbrio entre otimizar o tempo e fazer bem ou mal feito a tarefa reservada para aquela porçãozinha de espaço não-linear!
de qualquer forma, esse é o mal do século. o “influenza hn” de todas as doenças urbanas que estressam e, por fim, matam.
o plano desse espaço era conseguir o maior número de colaboradores possível. e ter um espaço para quem quiser expor esses registros sensoriais por assim dizer. resolvi antecipar a re-estruturação do planejamento diário do nosso amado (e vanguardista) about!
bora lá: nas segundas, este que vos entretém registra sobre whatever de novo. não, eu não vou falar de arquitetura! esse tema tá reservado pro .about! da oficina que estréia na primeira semana de setembro. e tá bom, prometo que vou manerar na fórmula 1. nas terças, respondendo a pedidos insistentes (essa é a terceira edição nesse post), jazz! na quartas, estréia ana rios, registrando um assunto que definitivamente tem muito para ser questionado e definido: meio-ambiente; nas quintas, bruno sobreira, enciclopédia viva de quadrinhos e séries, fã de eisner, miller e dono de uma camiseta do lost (não autografada) registra sobre exatamente esses assuntos. nas sextas a multi-tarefa com capacidade de processamento absolutamente superior a 32 bits (e essa sim deveria fazer um workshop sobre como sobreviver com disciplina, comprometimento, dedicação e doenças urbanas) lúcia thomaz com suas deliciosas anotações sobre moda e comportamento. falando em deliciosas, sábado continua o dia das delícias culinárias (e bebidinhas) com a camila rodrigues e, finalmente aos domingos, o dia de todo mundo.
quem tiver mandado um email “com recheio”, terá sua matéria publicada aos domingos. isso vale não só para o gustavo hamsen, daniela laffite, luciana glenda e gilberto bellegarde, como também pra todo mundo que curte nosso singelo quadradinho e tá com saudades ou morrendo de vontade de participar!
combinado?
em tempo: todo mundo deveria ter um diário, um esconderijo e o compromisso de registrar diariamente experiências e sensações nele. o esconderijo para que ninguém (mesmo) nunca pudesse vê-lo. em todo dia de escrita, vc poderia voltar algumas páginas e entender se vc está repetindo erros, se está se enganando, se seu grupo de amigos continua com comportamento adequado, se seus gostos mudaram e, se sim, para onde; ajudar a lembrar das incontáveis sensações e pessoas boas (e das nem tanto) que passam… (considere esse como um investimento pros tempos de alzheimer) e, por fim, nos seus últimos dias nesse estágio, a grande revelação: onde fica o esconderijo.
quem tiver acesso aos livros-secretos, terá acesso ao legado de uma vida inteirinha! sem contar as incontáveis e impagáveis revelações! já imaginou?
isso não é pouca coisa!
sucesso,
marcão
APITA, COMANDANTE!

mesmo apaixonado incondicional por santos, insisto em chamar minha querida ilha de sucupira. lembram? zeca diabo, zé das medalhas e odorico paraguassú? então.
a roda também insistia em me chamar de radical, exagerado e até arrogante. eu digo que aqui proibiram manifestações artísticas na concha acústica; derrubaram o parque balneário; o clube quinze para fazer “aquele” edifício que, séculos depois, ainda nem ficou pronto; fizeram “esse” shopping na ponta da praia; fizeram “aquela” intervenção para “qualificar” o aquário municipal; proíbem grande parte dos eventos esportivos na orla da praia; vivemos a absoluta ausência de um bar de jazz, blues ou algo que valha e, o atendimento comercial (de varejo, principalmente) que é, digamos, super particular. entre outras coisas horrorosas.
tudo isso numa cidade que se pretende: turística.
por outro lado, nos últimos anos (faço questão de ressaltar: últimos anos) podemos contar com uma ciclovia deliciosa (perigosa pacas, mas deliciosa), uma iluminação urbana renovada, teatros cortiçados re-incluídos no circuito das apresentações de arte, internet free (wi-fi) em alguns (ainda poucos) spots urbanos, uma reforminha árida e meio “urbanismo 2, segundo semestre” no emissário submarino (mas que definitivamente “melhorou” o espaço quando da comparação aos outros tempos), a orla da praia (da minha adorada ponta da praia) preparada com equipamentos específicos para receber com dignidade TODOS os indivíduos, desde os com necessidades especiais até os portadores de carrinho de bebê e temporariamente engessados em geral) e o divertido bailão para os velhinhos bacanas da fonte do sapo. entre outros embriões de delícias.
dias atrás derrubei uma matéria do coletivo action aqui, para a agência urbana, por achar que a molecada estava “pegando pesado demais” com algumas dessas críticas (muito mais inflamadas) da nossa santos.
eis que leio no jornal a tribuna (depois de ser alertado pelo cássio) uma matéria com um título parecido com: apito dos navios divide opiniões.
explico: de tempos pra cá, cruzeiros curtinhos tem sido realizados pela nossa costa. uma mina de dinheiro com segmentação bem definida. desde quem curte muita tranqüilidade até quem curte muita putaria: tem pra todo mundo. acontece que esses belos naviozões muito iluminados saúdam os cidadãos com um apito.
apito esse que eu ouvia quando pequeno, minutos antes de ouvir do meu pai: “olha o navio, filho!”. mesmo sem conseguir vê-los, adorava imaginar exatamente o caminho que faziam.
o apito é grave. denso. curto. talvez pela gravidade ou densidade, ressoe dentro do peito. talvez, por isso, remeta sensações de ternura e muito, muito romantismo. é absolutamente lírico.
parte da minha família que mora no interior, voa para a janela daqui de casa quando do “apito” para ver o navio deslizando sereno pelas águas tranqüilas de nossa baía exibindo suas milhares de luzinhas e os inúmeros “flashes” dos passageiros, deliciados com vista tão particular da cidade.
daí que uma tal “ONG” que protege o meio-ambiente e o escambau, resolveu que o “apito” maltrata os bichinhos, os seres humanos e a paz pública.
à puta que o pariu! como bom santista que sou, vou à praia. sempre. toda santa vez que deixo a praia, até onde meus olhos alcançam, uma quantidade incrível de lixo se acumula. resultado de fumantes que destinam as cinzas e as bitucas para a areia; embalagem de comida de mercado; o saco do pastel; canudo da caipirinha; pratinho de plástico do milho: tudo na areia. bando de gente porca. isso, definitivamente faz mal pros bichinhos e para o ser humano. não o apito dos navios.
esse monte de bandidos que seqüestram; furtam celulares; te esperam sair do banco pra te levar o dinheiro; consomem e vendem maconha, cocaína, ecstasy, crack, LSD e todo o farto hall das proibidas; invadem tua casa e enchem de porrada teus pais e teus avós pra levar o quê? os 300 reais que já tinham conseguido antes de “resolverem” bater nos velhinhos?
esse monte de “cidadãos” que simplesmente INSISTEM em parar em fila dupla, em deixar o carro na frente de garagens, em trafegar no acostamento; em segurar o elevador por horas, em deixar tocar o celular em cerimônias e apresentações, em levar seus bichinhos para cagar no portão da casa dos outros (e, lógico, deixar tudo lá); em não reciclar; em sempre tentar “corromper” os policiais e autoridades com o velho-e-bom papinho: “pô, seu guarda. é rapidinho” ou ainda: “não tem outra forma de resolver isso?”; em estacionar o carro “um minuto só” nas pouquíssimas vagas destinadas aos carros adaptados para as pessoas que necessitam de tais adaptações, enfim… isso faz mal à paz pública, não os apitos dos navios.
fiquei um pouco menos irritado no final da tal matéria, ao ler que o prefeito e pelo menos grande parte do secretariado, em uníssono, acham o apito não só delicioso como também um verdadeiro privilégio do cidadão santista. hoje mesmo, também no jornal a tribuna, o flavinho amoreira, em seu reconhecido formato lírico-erótico-ultra-erudito, escreveu em sua coluna uma declaração de amor aos apitos de navios (eu prefiro interpretar como um texto de verdadeira repulsa aos incomodados). voilà! nem tudo está perdido.
a tal bem intencionada ONG, poderia pensar em escrever para algum jornal aí, do mundo, pleiteando acabar com os fogos de artifício nas comemorações do ano-novo em TODO O PLANETA! já imaginou? os cachorrinhos se escondem desesperados em cantos e tocas, tremendo, assustadíssimos com o barulho. ora, isso não estressa os bichinhos também? fala sério!
termino esse registro irritado deixando duas “dicas” para os incomodados:
primeira: visitem a obra de narciso de andrade, nosso imortal poeta santista dos ventos e da maresia. é presente dele um privilégio documentado em palavras (versos iniciais de “cais”) com as quais eu gostaria de expressar minha opinião pessoal sobre os apitos de navios:
“com tanto navio para partir, minha saudade não sabe onde embarcar.”
a segunda dica: procurem uma casinha em águas de lindóia, águas de são pedro, poços de caldas e adjacências. lá não tem navio. é uma tranqüilidade só para os bichinhos e para a paz pública, ó!
ilustríssimo senhor comandante: senta o dedo nessa porra!
sucesso,
marcão


