Agência Urbana

Arquivo da categoria ‘27. por aí’

PELADÃO DE BARCELONA

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No post de hoje, um pouco de cultura de bar (aliás, acho que esta deveria ser uma das categorias desse blog democrático). Alguns sábados atrás, eu estava na casa de uma amiga conversando sobre ícones da cidade de Santos , tipo o mendigo Raul que desde a minha infância canta muicho loco pelas ruas da ponta da praia e descobri que o nome dele é Carlos.

Comentamos de vários personagens santistas: desde o homem que vende papel no semáforo do Gonzaga até a mulher que vende flores. Foi então que me contaram sobre um ilustre morador de Barcelona. Eu até procurei por ele aqui no blog, já que tivemos uma colaboradora residente na linda cidade, a Glenda.

O que me impressionou foi descobrir que em Barcelona é permitido andar pelado!?!? Independente da liberdade, o peladão mais ilustre de Barcelona sem duvida deve ser o Sr. Esteban.

Na primeira impressão parece que o doido está de sunga, mas não, é uma tatuagem! Já a vista frontal é melhor nem comentar e deixar que vocês confiram o efeito da gravidade nessas fotos aqui.

Viva a liberdade!! Rs

Até a próxima!

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NATAL LUZ DE GRAMADO 2009

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Em época de festas a Agência Urbana não poderia ficar de fora, por esse motivo, o post de hoje será sobre o evento “Natal Luz de Gramado 2009”.

Durante 67 dias a cidade de Gramado se transforma em um Parque Temático de Natal. Quem chega na cidade encontra em todas as ruas e em cada detalhe o espírito natalino. São milhares de mini lâmpadas transformando ruas em túneis iluminados, árvores de natal gigantes e o Papai Noel nas ruas todos os dias.

Um evento como este não pode deixar de ser visitado, por isso recomendo a todos que puderem e estiverem sem opções para o fim de ano, viajarem até essa belíssima cidade.

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Um pouquinho de sua história…

Com o surgimento da necessidade de revitalizar a Festa das Hortênsias, uma festa tradicional em Gramado que deu origem a Fearte e Festival do Cinema, e atrair maior número de turistas não só no inverno, a Prefeitura utilizou a idéia do Natal para criar um grande evento para toda a cidade. Isso só seria um pouquinho difícil, já que a comunidade é de tradição ítalo-germânica, com o costume de passar o Natal com a família e na igreja.

O então Prefeito Pedro Bertolucci e o seu Secretário de Turismo, Luciano Peccin estudaram diversas formas de aprimorar o turismo em Gramado nesta época do ano.

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Após a volta de viagem de Luciano Peccin da Disney, ele pensou em reproduzir o Natal que acontecia lá, em Gramado. Acrescentando um toque brasileiro.

A partir das luzes primeiramente instaladas, também surgiu a idéia de sonorizar a avenida e fazer algum espetáculo. Começaram a desenhar o Natal Luz de Gramado com músicas na cidade através de alto- falantes vendidos para as lojas, lâmpadas decorando as fachadas da Av. Borges de Medeiros, postes enfeitados como pirulitos e pinheirinhos naturais dispostos na avenida com topinhos vermelhos.

O Maestro Eleazar de Carvalho, titular da OSPA, contribuiu para o desenvolvimento de um grande concerto.

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Os bastidores…

A produção do Natal Luz requer, além de um longo período de preparação, muitas pessoas envolvidas e dispostas a fazer da cidade o maior Parque Temático de Natal.

Durante todo o ano, toda a comunidade é mobilizada na arrecadação de garrafas pet para a confecção dos enfeites, que estão em toda a decoração da cidade. Além de auxiliar na arrecadação de material, moradores da cidade dispõem de seu tempo e dedicação confeccionando as guirlandas, flores e anjos feitos para encher os olhos de crianças e adultos que visitarem o Natal Luz de Gramado.

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Ao todo, são mobilizadas mais de duas mil pessoas para compor o casting do evento, a maioria das pessoas que trabalham direta e indiretamente no evento, são da região.

Dentre os atores do espetáculo estão os patinadores gaúchos que fazem parte do Desfile de Natal. Um dos principais destaques é o medalhista Marcel Sturmer que encanta o público com a sua apresentação.

Mais detalhes sobre o evento acessem: www.natalluzdegramado.com.br

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PHIL MATURANO QUARTET - CLASICA Y MODERNA

lembram do post de jazz em buenos aires? do daniel [guitarrista do tremendo] e sua dica do clasica y moderna?
então. eu terminei o post no início do show.

o espetáculo foi semelhante ao do vídeo acima. o mesmo quarteto, na mesma época na argentina… só não foi no mesmo bar que assisti.

phil maturano e phil palombi (dono de um grammy) se conheceram na turnê mundial de 1997 quando acompanharam o trompetista maynard fergunson. desde então tocam juntos e compõem algo como uma “telepatia musical”, publicou o guia senior da argentina.

soma-se ao quarteto o excepcional pianista mathew fries. mathew tem o título de campeão do concurso “great american jazz piano competition”. acompanha fielmente as turnês mundiais de curtis stigers e stacey kent. entre outros, tocou e gravou com deedee bridgewater, vincent herring, tony reedus, charlie persip, walter perkins e jay leonhart.

perguntei a ele, entre um malbec e outro: “e depois daqui?”. ele respondeu: “polônia, inglaterra, frança e depois de volta pra casa!”. tocaram uma composição de mathew e perguntei à ele (sem ofensas) sobre a possibilidade de um tom meio burt baccarah no tema. eu percebi, sei lá. ele disse: “com certeza! e sabe que eu nem tinha pensado nisso? mas é absolutamente condizente com a estrutura!)

o quarto elemento é o guitarrista argentino ale demogli. tem bastante raciocínio nas frases do ale. ele consegue leveza e beleza dentro da densidade que apresenta.

agora, o maturano é uma figura. baterista genial, latin jazz na veia, não conseguiu iniciar o segundo set no horário combinado. porque? porque deu uma atenção mais que especial aos quase 50 indivíduos que se deliciavam com o espetáculo no bar/livraria. simpático, atencioso e muito educado, cumprimentou e perguntou sobre a apresentação. durante o show, apresentou cada tema com muito bom humor e uma informalidade que alçava-nos [público] à categoria de grandes amigos.

contei à ele a história do taxista. ele não acreditou! (e não é pra menos). me autografou o cd new york/köln project latin jazz, que gravou com christian torkewitz no piano e michael o’brien no baixo. estava envergonhado: entregaram os cds, a arte de capa… mas não entregaram as caixas. a solução foi entregar o cd direto do tubo com a [capinha] junto. quer mais jazz que isso?

agradeceram calorosamente com um carinhoso “thanx, brother”, paguei a conta, deixei a propina (os portenhos sabem bem o que é isso), pulei num taxi e berço!

o clasica é realmente um bar que se oferece com muita dignidade ao que se propõe.

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paredes em tijolos aparentes, fotos emblemáticas e propagandas dos shows que se apresentarão por lá, passarelas metálicas pintadas de preto e suas bicicletas italianas à motor devidamente identificadas;

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a charmosíssima livraria por detrás das [copas] sobre as mesas;

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e o canto do jazz antes do balcão, onde se apresentaram phil maturano, phil palumbi, mathew fries e ale demogli.

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um privilégio!

quer mais?
http://www.clasicaymoderna.com/
ou, é claro, vá a buenos aires!

sucesso,
marcão

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LE POÈME DE L’ANGLE DROIT

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dessa última passada em buenos aires sobram inúmeras memórias de privilégios que minha ansiedade impede de guardar para algum momento especial daqui da agëncia urbana.

lembram do post de terça passada direto do clasica y moderna, segundos antes de um show de jazz? pois é deste dia que ofereço uma destas memórias, queridas criaturas.

antes de chegar no tal bar, estive no museo nacional de arte decorativo, tentando garantir detalhes sufucientes para ter certeza que jamais esqueceria os originais do [poema do ângulo reto] de corbusier.

faz pouco tempo, o nome le corbusier voltou a modinha dos que realmente conseguem crêr em modinhas. e tudo que o nome significa se apresentou numa deliciosa sugestão enigmática que teve um aproveitamento evidentemente aquém do minimamente necessário no processo evolutivo da minha raça de colegas arquitetos.

explico: em fevereiro [2009] lançaram uma box que continha a famosa fita modulor e um manual plastificado com as explicações necessárias. isso sem contar o seguinte texto [com a firma de monsieur corbu]: “no meu bolso eu tinha uma trena, que guardava numa caixinha de alumínio originalmente usada para filmes kodak: essa caixa não saiu do meu bolso desde então. é bem comum as pessoas me verem em lugares improváveis tirando a trena para fazer uma verificação”.

virou um objeto quase fetichista, intensamente desejado por arquitetos, designers e essa raça na qual me incluo de criadores. a fita modulor é o seguinte - uma [trena] desenvolvida pelo mestre entre 1942 e 1948, baseada em 3 escalas específicas: a original da fita, que era uma medida lógica e tinha como base as proporções do corpo humano; a medida que le corbusier considerava padrão: os princípios da razão áurea [também chamada de proporção divina e usada por leonardo da vinci para pintar seus quadros] e mais a sequência de fibonacci [função matemática encontrada em vários elementos da natureza, como no formato das conchas, no tamanho dos rios – super apresentada no [anjos e demônios] e [código da vinci] do dan brown - dividindo o comprimento sinuoso pelo comprimento em linha reta]. era a escala modulor que le corbusier usava em seus projetos.

como toda [modinha], se seu conceito, programa ou partido for pesquisado com alguma atenção, dá-lhe presentinhos informativos e sensoriais. se não, mais uma modinha. com aproveitamento aquém do minimamente necessário.

depois dessa breve apresentação [pop] do mestre, fecho os olhos e volto a exposição no museu de buenos aires.

corbusier compreendera que a natureza está carregada da história humana. isso fica evidenciado nessa série de litografias e textos produzidos entre 1947 e 1953 e compõem o [poema do ângulo reto]. a chave do [poème] é a justaposição de opostos, como a água, que tanto procura os abismos, como sobe ao céu por evaporação. símbolos que representam o ciclo de 24 horas do dia, mulheres como mar e chuva, o círculo alquímico [os quatro horizontes], o entrelaçamento de mãos e outros signos indicadores de aspiração ao espiritual através dos elementos naturais.

é lindo!

se essa exposição passar por estas paragens, é obrigatória. assim como a fita modulor.
http://www.mnad.org.ar/index.php?subP=actuales

sucesso,
marcão

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PALMAS! LLEGÓ EL TANGO!

vamos começar assim: hoje, lá pelas 4 da tarde consegui me liberar para o almoço. em san nicolas chamei um táxi para a recoleta (precisava dar tempo de ver a exposição do le corbu - le poeme de l’angle droit, no museo de arte decorativa). começo, mais uma vez, a levar um divertidíssimo papo com o motorista. e fiz a pergunta que durou todo o dia de hoje, desde o desayuno: onde ouço jazz?

depois de 3 dias, ou melhor, noites de tango, onde passamos pelo tortoni, esquina homero manzi, la boca e uma tentativa de rock (bem baixinho) no hard rock café da recoleta… precisava de um pouco de blues ou quem sabe, por sorte maior, jazz!

acontece que ninguém conseguia me indicar nada! ou não sabiam onde poderia ter ou, quando sabiam, tinham certeza que na terça-feira não! hoje, desde o camareiro até o recepcionista, clientes, vendedoras, pessoas na rua e motoristas de taxi… para eles eu quase implorei: jazz, por favor!

eis que o motorista do taxi em questão riu um monte. portenho, ele conhece 23 estados no brasil. tim maia, gal costa, e caetano entre outros. porquê? advinhem? foi guitarrista do tremendo!

sim, sim, sim. eu escrevi tremendo. súbe-te a mim moto, isto é tremendo… (todos batendo palmas, isso é tremendo, un histerismo loco, isso é temendo…) lembram? tinha menudo (do méxico), dominó (do brasil) e tremendo, da argentina.

enfim: daniel (nome de anjo, para variar) me indicou o ‘clasica y moderna’ na callao, entre a paraguay e a cordoba, quase na divisa recoleta x san nicolas. terminamos le corbu (perfecta!), fomos à pé e é daqui que posto.

aqui não é bem um bar. é o bar que eu quero ter. pelo menos lembra e apresenta grande parte dos ‘focos’ do meu planejamento.

é uma livraria-bar. com bicicletas a motor italianas com respectivas plaquinhas referenciais penduradas em uma passarela metálica preta apoiada em uma parede de tijolos. rústico. perfeito e com wi-fi! ao fundo, uma livraria de pequno porte, milhares de livros do chão ao teto, com pequnas mesinhas para um café.

quer melhor? lá vai: na minha mesa, direto de mendoza, atrás do netbook de onde digito, um bueno malbec de mendoza e, um pouco mais à esquerda vejo com facilidade (5 metros) um contra-baixo de pau, piano de cauda e uma batera small-kit com as peles paralelas ao piso.

resumindo: vai ter jazz!

enquanto isso, se vcs, amadas criaturas foram descolados, clicaram ‘play’ no triangulo do vidinho lá de cima. para variar, do amigo youtube. esse foi do café tortoni. tango com músicos de jazz. gardel, lepera, interpretados com imensa paixão pelo cantante e pelo bandoneónero, muito jazz na veia do pianista e com pouco tesão pelos dançarinos. muita habilidade, ligeireza e pouca putaria.

e o tango, convenhamos, é pura putaria.

fomos no boedo, para a esquina homero manzi. cliquem no play…

pianista de jazz, violonista com um quê de flamenco e outro par cantantes/bandoneónero absolutamente passional. dessa vez dois casais e ainda nada de putaria. nem com o cabelo molhado e a pele arrepiada da morena.

o repertório da homero é bem mais ‘roots’ que o tortoni. fato. o tortoni é um espaço muito, mais muito mais tesudo que o homero. fato! tem que ir nos dois.

outro fato: jazz rules! no tango e no mundo todo, músicos de jazz garantem as sensações.

a pergunta que não quer calar: e a putaria? la boca! o tango da república de la boca é tudo!

agora vou. vai começar o jazz! amanhã cedo vôo de volta.

hasta luego!
marcão

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LOS ANGELES DE RECOLETA

estava preocupado. tinha reservado uma surpresa para as criaturas da agëncia urbana. lembram do deliciosamente silencioso? do cemiterio da recoleta? pois é!

curioso como a tranquilidade e até a ludicidade, quando do maior exercício de tranquilidade podem estar diretamente vinculadas à morte. enquanto sensação, uau!

daí, reservei fotos, no melhor processo ‘despreocupado’ possível. sem maiores cuidados com fotometria, enquadramento ou whatever. pura sensação.

para quem gosta do assunto ou de win wenders, fotografei anjos. somente as esculturas de anjos do cemitério da recoleta com o céu por fundo. meu netbook não tem photoshop ou algo que me permitisse ao menos reduzir o tamanho das imagens para publicar. quem salvou? google + youtube, para variar.

que los desfruten!
marcão.

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BAIRES

buenos aires é td de bom! mesmo a trabalho. entre reuniões e malbecs, muito compromisso! compromisso de mais malbecs, só que no la biela, depois de um passeio contemplativo e deliciosamente silencioso no cemitério da recoleta, tango no boedo, revistas em palermo… enfim:

hoje vou dar uma de dani e postar um vidinho de buenos aires. e, a título de autenticidade, diretamente daqui do café martinez na corrientes. quer ver onde é?

www.cafemartinez.com.ar

aproveito esse compromisso por aqui, para fazer um especialzinho muito curto de baires. hoje, amanhã e depois, ok?

suerte!
marcão

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10 THINGS ABOUT NYC

Helooooooow!

Essa semana, para variar, mais uma curtinha. Escrevo sempre daqui, tentando apresentar novidades, curiosidades, entrevistas e coisas bacanas de NYC. Acabo por esquecer que voces estao em maior parte no Brasil… e nessa cidade gostosissima que e Santos.

Novamente apressada, minha missao ’sensorial’ dessa semana foi procurar um video que mostrasse um pouco do lugar de onde teclo. Fiquei surpresa com a quantidade de porcarias online, mesmo considerando agencias conceituadas de turismo e bureaus.

Achei esse bem legal, ainda looooonge de ser ‘o legal’, mas bem legal.

Sintam NYC…

Seeya!

texto: daniela laffite.

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CARLOS FUENTES IN THE AFTERNOON

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Heloooow…

Gente, por aqui uma loucura absoluta. Falta tempo pra tudo, sempre. Cada vez tenho mais problemas com disciplina e acabo faltando com minha participacao na deliciosa, maravilhosa, absoluta e unica agencia urbana! Mandei umas mensagenzinhas pro Marcao me explicando pra ele, anexando esse textinho (super atrasado, pra variar). Nao desistam de mim, queridos!!!

Nessa coisa de muita pressa, eu tinha guardado aqui um recorde do blog da Marilia Martins. Uma deliciosa entrevista com o delicioso pessimisa Carlos Fuentes. Deliciem-se!

“O mexicano Carlos Fuentes continua um dandi aos 80 anos. Vestindo um terno impecável para passear numa tarde abafada de julho em Nova York, ele franze a testa, encara o sol a pino e mantém a pose de diplomata. Famoso pela ficção e pelo currículo de conquistador de estrelas de cinema (diz a lenda que ele teria tido romances com Jeanne Moreau e Jean Seberg, além de ter sido casado com a atriz Rita Macedo), ele circula pela Madison Avenue com a desenvoltura de viajante que conhece os trejeitos locais, em companhia da mulher, a jornalista Silvia Lemus. E escolhe um bar de hotel para falar do romance que está lançando no Brasil, “A vontade e a fortuna”, bebericando Bloody Mary. Trata-se da disputa entre dois irmãos, inspirados em Caim e Abel, pelo amor do pai, líder de um país imaginário, onde o crime anda à solta. O que mais lembra o México no romance, porém, não é o enredo, e sim um detalhe de humor macabro: a narrativa é feita pela cabeça cortada do protagonista, Josue Nadal, que rememora sua vida, enquanto vagueia ao sabor das ondas do Oceano Pacífico. Nesta entrevista, Fuentes discorre sobre literatura e política, fala do México de hoje, de suas memórias de infância no Rio e das mudanças que o impressionam na América Latina.

Vamos começar pelo romance: de onde veio a inspiração para recontar a história de Caim e Abel?

CARLOS FUENTES: Eu sou daqueles, como Oscar Wilde, que acredita que literatura se faz com 10% de inspiração e 90% de transpiração. Sei que muitos escritores que ficam em bares esperando que a muse chegue e ela não chega nunca. Eu escrevo todos os dias, muito disciplinadamente. E a disciplina tem algo de surpresa: planejo o que escrever no dia seguinte e quando me levanto faço tudo diferente… Dormi, sonhei, conversei com alguém… e tudo mudou.

Mas de onde vêm os 10% de inspiração? Do México de hoje…?

FUENTES: Não escrevo sobre o Mexico, escrevo sobre seres humanos… Mas você tem razão quando diz que o Mexico de hoje é um país muito dividido: há mexicanos vivendo no século XVI, outros no século XXII, e no meio há uma infinidade de gentes em tempos diferentes… É um país em que o nacionalismo extremado serve para ocultar a profunda divisão de classes sociais. É um país mestiço, socialmente dividido, com uma história riquíssima e uma herança política nefasta…

Por “herança nefasta”, o senhor se refere ao PRI, o Partido Revolucionario Institucional?

FUENTES: Sim. O Mexico passou anos e anos sob a ditadura do PRI e quando afinal reconquistamos a democracia, descobrimos que a corrupção não era patrimônio do PRI e que estava espalhada por todos os partidos… E o que é pior: o PRI venceu as eleições! Por que? Porque os mexicanos ainda acreditam que mais vale o mal conhecido do que o mal por conhecer…!

A literatura tem influência política? Um romance pode conscientizar seus leitores?

FUENTES: A literatura tem influência relativa. Philip Roth dizia que uma ditadura aprisiona seus opositores em campos de concentração e uma democracia os prende a uma tela de TV. A imaginação pode ser um convite à passividade e à alienação. Vem daí a responsabilidade do escritor, de fazer uso da imaginação e da linguagem de forma a não alienar, de forma a discorrer sobre sua visao política. A literatura tem exigências enormes de tempo, de concentração… Se um romance pode conscientizar seus leitores? Depende do escritor. Não acho que Balzac tenha conscientizado seus leitores sobre a necessidade de uma revolução burguesa na França, mas acho que Soljenitsin alertou seus leitores sobre os horrores do estalinismo. Em tempos de ditadura, a literature ganha outra leitura, que tem a ver com o momento politico, e isto pode ser ruim. A literatura latinoamericana sofre de uma praga, a “literatura platanera”, a literatura de fundo populista…

Como o senhor vê sua própria evolução como escritor? Sua obra caminhou na direção de uma prosa mais corrosiva politicamente?

FUENTES: Mudei muito como escritor porque comecei a escrever muito jovem…. Eu me lembro como ficava assustado diante da página branca. Hoje, estou mais sereno, escrevo de forma bem mais disciplinada. E me dei conta de que como escritor tenho duas preocupações: escrever uma “comédia humana”, ainda que de forma diferente da de Balzac e sobre a influencia dele, e ao mesmo tempo escrever “relatos fantásticos”, capazes de fazer rir, de fazer um comentário social à margem das convenções…

Dizem que seu próximo romance é sobre narcotráfico… É verdade?

FUENTES: Sim. Acabo de escrever uma história que envolve narcotraficantes e soldados do Exército, que se chama “Adão no Éden”, e sai em novembro no Mexico. Vou lançar também um livro de contos, que não são nada realistas…

Sua literatura sempre oscilou entre histórias realistas e histórias fantásticas… Por que o senhor não se deixou encantar pelo realismo fantástico, pela mistura dos dois gêneros?

FUENTES: Porque acho que o realismo fantástico teve dois mestres: Garcia Marquez e Alejo Carpentier. Depois deles, não há mais como escrever no gênero que eles levaram ao extremo e esgotaram. As novas gerações de escritores não mais se deixam seduzir pelo realismo fantástico e isto é bom. Hoje, temos na America Latina uma literatura muito mais diversificada do que a que havia quando comecei. Isto sem contar a quantidade impressionante de escritores bons. Acho que o mundo mudou e a melhor literatura se escreve hoje for a dos antigos centros, é a produção literária das antigas colônias, é a literartura de lingua inglesa escrita por Nadine Gordimer e J.M Coetzee, por exemplo…

Seu romance sobre narcotráfico trata de um problema muito sério no Mexico de hoje… Qual a solução?

FUENTES: Descriminalizar a droga! Al Capone acabou quando caiu a lei seca. Não havia mais necessidade de traficar bebida alcoolica… O mesmo vai acontecer com a maconha e a cocaina: precisamos descriminalizar o usuário e acabar com os traficantes fazendo com que o comercio de drogas seja legal e devidamente fiscalizado legalmente. Isto resolveria o problema social. O assunto já está sendo discutido pelos presidentes da Colombia, do Mexico… Mas vai ser preciso convencer Obama a abraçar esta causa nos EUA, caso contrario o problema continua, uma vez que o tráfico de armas e o consumo de drogas estão do lado americano da fronteira…

E seu romance imagina um mundo em que a droga é legalizada?

FUENTES: Não. Meu romance “Adão no Eden” fala da radicalização da violência, do que acontece quando um batalhão de extremistas é chamado para tentar “resolver de vez” o problema da droga, usando uma violência brutal…. Esta foi para mim uma possibilidade literária… Na realidade, acredito que há outras soluções a serem tentadas…

O senhor é otimista sobre o futuro mexicano?

FUENTES: Sou pessimista no sentido de Oscar Wilde, que dizia que o pessimismo é um otimismo bem informado… Bem, tenho que confessar que sou mais otimista com os EUA de hoje, depois da eleição de Barack Obama… Eu sou do tempo em que muitos bares e restaurantes do interior dos EUA punham na porta uma placa que dizia “Aqui não entram cachorros e mexicanos”… Não faz tanto tempo assim. Eu vi placas assim quando viajei com meu pai pelos EUA, no período em que ele era diplomata em Washington… Nunca imaginei que Obama fosse vencer a eleição…!

E quanto à literatura mexicana hoje?

FUENTES: Há muitos bons escritores mexicanos nas novas gerações! Há um grupo excelente, que se chama “El crack”, que reúne nomes como Jorge Volpi, Ignacio Padilla, Eloy Urroz, uma escritora excepcional que se chama Cristina Rivera Garza… Mas há também uma novíssima geração, posterior ao grupo do Crack, com escritores de 30 anos, como Alvaro Enrique, um autor excelente… Mexico tem hoje uma nova geração de autores que é muito variada em estilo e linguagem, e produz uma literatura excepcional, com muitos temas e tendências…

E quanto à presença da literatura brasileira no Mexico? É hoje mais forte do que no passado?

FUENTES: Não, infelizmente. O Brasil tem um escritor do porte de Machado de Assis, que foi, no século XIX, um nome da estatura de um Cervantes e de um Sterne em séculos anteriores… Mas hoje existe a barreira da lingua, que impede que os leitores de literatura hispânica tenham familiaridade com autores brasileiros: Existe hoje um intercâmbio intenso entre escritores dos países de lingua espanhola e não existe o mesmo com os brasileiros, que ficam isolados no continente latinoamericano… Por que os brasileiros não são incentivados a aprender espanhol no curso primario, junto com o português? Isto permitiria que o país se integrasse melhor no continente.

O senhor iria participar da Flip, o que acabou não acontecendo… O senhor pretende visitar o Brasil em breve?

FUENTES: Sim, pretendo ir ao Rio em Fevereiro. Adoro o Rio de Janeiro. Minha familia morou no Rio quando eu tinha 2 anos de idade e tenho lembranças muito lindas da praia de Coapacabana… Lembro de um tempo em que meu pai voava de hidroavião e descia nas águas da Baía de Guanabara, perto do aeroporto… São Paulo não me interessa, mas o Rio é para mim uma das minhas imagens de felicidade… Quando penso no Brasil, penso no Rio, na gente do Rio, na cultura carioca… Não sei o que os cariocas vão pensar de meu romance, Gostaria que eles se identificassem e que rissem junto com os personagens… Acho que Mexico e Brasil têm muita coisa em comum e o humor é uma delas.”

Seeya! And keep on lovin’ me!

texto: daniela laffite

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TAGA - BE MOVED!

dani mandou mensagem pra mim dizendo que essa semana ela se enrolou. olhando daqui, acho que nem foi privilégio dela não (rs)! tá uma luta manter a disciplina!

mas, como a gente é ninja, aceitamos o desafio e, nada modestos (rs), estamos mandando super bem!

falando em mandar bem, a dani (que é tudo de bom) mandou em anexo na mensagem dela um link para esse vídeo aí de cima. ela disse que já viu pelo menos uns 10, lá em new york, entre central park, manhattan e o brooklyn.

o curioso é que, não faz muito tempo, recebi dois emails com o mesmo link e o título: “show de design”.

numa dessas madrugadas esperando download de email com um monte de attachs, resolvi digitar TAGA e ver no que dava.

cliquem: www.taga.nl and be moved!

sucesso,
marcão

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