Arquivo da categoria ‘28. santos, sp’
O CIRCUITO DE HAMILTON

2008, ano que o inglês Lewis Hamilton conquistou seu primeiro (e único, até o momento) campeonato. Lá naquele momento tão lembrado pelos brasileiros, onde Felipe Massa conseguiu ser campeão por alguns segundos e Timo Glock conseguiu ser o piloto mais odiado pelos tupiniquins.
É então, acho que todos se lembram…
Se alguém quiser tomar um copo de água com açúcar, fique à vontade!
Após a temporada, aquele momento de férias para os pilotos e ansiedade para os fãs. E o que Hamilton fez durante uma parte desse momento? Algo bem bacana, participou de um projeto com a parceria da Mobil 1. Para fazer o quê? Simples, construir (em CG) o circuito perfeito (na opnião do piloto, lógico).
Com trechos de: Istambul, Magny Cours, Suzuka, Spa - Francorchamps, Mônaco, Interlagos e Silverstone, veja abaixo como ficou o tal circuito.
E ai o que achou? Mudaria algo?
Deixe sua opnião nos comentários.
FAROL DO CANAL 6: UMA BRUTALIDADE!

se eu começar a descrever minha posição no aparentemente eterno embate identidade x evolução, acho que vou tão longe que vai ser difícil qualquer vivente não se somar às hordas que entoam o coro: “odeio o marcão”.
pior: quando chegar nesse ponto, sangue-nos-olhos, continuo, motivadão. vomito tudo, feliz.
viram? já tô começando…
nossa ilhota amada, cujo símbolo turístico é um “bonde” (!?) e cujo prato tradicional (?) e característico (?) chama “meca santista” (?!)… ó… não consigo:
pensem nos meus pais e meus avós. todos santistas, descenderam de imigrantes, chegaram pelo porto, tiveram pensão no porto, moraram em chalés, pularam do trampolim e jogaram no parque balneário. mas NUNCA comeram o arranjo da “meca santista” [salvo a referência a alguma(s) delicinha(s) encontrada(s) no fugitivo, my love, love story ou abc house].
ah… e eles andavam de bonde aqui em santos sim. como andavam naquela época no rio de janeiro, sampa e no resto de nosso brasil varonil.
comecei. foi mal!
o foco aqui é outro. eu, marcão, sou santista da ponta da praia. mais precisamente bairro aparecida. rua ricardo pinto, canal 6. nasci à duas quadras da praia. morei por aí, viajei [e viajo] um monte e voltei pra cá.

minha infância e adolescência foi baseada na máxima: mar é tudo. frescobol? no mar, água nos tornozelos. sonrisal? [só santista sabe o que é isso] no mar, na lâminazinha de água da vazante. jacaré? no canal 6? exatamente! em dia de ressaca era espetáculo. como nos encontrar na praia? vai até o canal 6, na direção do farol. ir de pedalinho até o farol? fácil. mas tinha que buscar areia no fundo, sem pular do alto do farol. nadar até o farol? ah, nadar até o farol… não bastava nadar até o farol. tinha que saltar do alto! e aí era mole buscar areia!
fim-de-tarde? pôr-do-sol com uma cervejinha no fifty-fifty ou no gug’s saravá, no posto.
a noite? depois de conhecer alguma fêmea, em geral paulistana, hospedada na trabulsi ou no itaipú: um lanche no romildo e uma loooonga namorada na privacidade do escuro da praia. testemunha? só a lua por trás do farol.
repararam? sempre o farol.
hoje sou um tiozinho. bairristíssimo, moro na rua ricardo pinto, canal 6. pego praia na frente de casa, na direção do farol. da janela da minha sala vejo o que? a praia do góes à esquerda e o farol do canal 6 à direita!
para tentar manter a carcaça de tiozinho alinhada, eu treino. e sou bem dinâmico no quesito “treino” por assim dizer. dentro da tal dinâmica, eu remo e nado. nado até aonde? até o farol do canal 6.
acontece que picaram o farol do canal 6. literalmente. um barquinho, dois caras, talhadeira, marreta. e lá se foi o farol pro fundo do mar.
dá pra acreditar em tamanha violência?
tá, não vou discutir o “mérito estético” do shopping praiamar, miramar, do aquário de santos, do pato-purific vermelhão no emissário submarino e do entendimento “pós-moderno” que se apresenta nos novos edifícios da cidade. ave, é nojento! sou arquiteto e… porra, discutir isso é uma merda.
agora: uma brutalidade dessa com o farol do canal 6?
elemento componente da história de incontáveis santistas? marco identificador da cidade? peça romântica e onírica? ponto de referência para remadores, nadadores, triatletas e esportistas em geral? todas as anteriores?
afinal para que serve o farol para uma cidade que tem meca santista, bonde e o pato-purific?
pior que o idiota aqui que digita, imaginou que, como eles picaram só o corpo do farol [deixando a base], em breve uma reforma seria apresentada à janela do meu apê. incluida a luzinha no topo do farol, pensei.
cara, como eu sou idiota!
segundo o jornal a tribuna, a capitania dos portos alega que ele não serve mais para nada. alega que o sistema usado hoje não só é mais moderno, como também já está implantado e é utilizado com satisfação para direcionamento das embarcações. alega que o farol estava em petição de miséria: podre, e custa muito em manutenção para não servir para nada. em um mês eles arrancam a base também.
será que o custo de “talhar” o farol abaixo é tão mais interessante que o custo de uma pequena reforma? arrebentar todos os tijolos ou somar alguns, aplicar uma pintura e iluminar, trazendo de volta dignidade ao velho guardião do canal 6? talvez, essa “estratégia” pudesse até gerar divisas provenientes de associações de gente do mar, como os práticos e até mesmo as grandes empresas de navegação do porto [o maior da américa latina, lembram?] para uma reforma mais volumosa [se fosse imprescindível]. de qualquer forma, o que o pobre farol pode “atrapalhar” aonde está implantado? e será que o “custo de manutenção” do pobre é tão alto que justifica a negativa de valores práticos, históricos, sensoriais e de identidade?
o boquinha [vereador local, geonísio aguiar] abraçou a causa. aparentemente repugna a demolição e parece que tem trabalhado junto à capitania para tentar reverter alguma coisa.

e falando em abraçar [agora a parte mais bacana], um grupo de 15 esportistas deu um abraço simbólico na base do farol. não participei porque não fiquei sabendo. se soubesse, seriam 16 criaturas. de qualquer forma vi a foto no jornal e fiquei, literalmente, emocionado.
durante essa angustiosa espera por alguma notícia, olhando para a base de pedra pela janela da sala, fui passear num desses blogs bacanudos que a gente guarda nos favoritos, sabe? o nome do blog é kitupiras e os nomes por trás são: rodrigo magalhães e paulo flatau. os caras não são de santos. advinha? eles escreveram sobre o farol do canal 6. mais precisamente sobre a brutalidade:
“…lembro da infância… na praia de santos… lugar onde morei por 20 anos… e todo fim do dia, no verão, contemplava a imagem do velho farol do canal 6 contrastando com as nuvens e o sol fugindo…”
“…destruíram o coitado sem nenhum aviso, sem nenhuma consulta pública… sem dó nem piedade… só sobrou um cotoco… um pedaço de lembrança…”
“…terá sido alguma reivindicação egoísta dos poderosos responsáveis pelo boom imobiliário? fico pensando… talvez aquilo atrapalhasse a vista de alguma cobertuda no 40º andar…” [essa parte me lembrou o “apita, comandante!”]
criaturas santistas que orbitam pela agência urbana: leiam o texto na íntegra! melhor: leiam todos os comentários!
não conheço os caras do kitupiras, mas quando terminei, me senti numa mesa do heinz tomando um chopp com eles e com os caras dos comentários. quase achei que “dava pra fazer alguma coisa”, sabe como é?

viagens de um tiozinho ácido que não perde a esperança e anda sériamente entristecido com a vista amputada da janela de sua sala.
brutalmente amputada.
sucesso,
marcão
curiosamente, tempos atrás, publiquei aqui na agência urbana algumas histórias desses guardiões dos mares. se alguém estiver afins de lembrar ou relê-las, aí estão: [1] [2] [3]. é mole?
5 comentários »A HISTORIA SE REPETE

Com 5.335 metros de comprimento, largura entre 45 e 50 metros e 218.800 m² de área, o equivalente a 155 Jardins Botânicos do Rio de Janeiro - o jardim de Santos ganhou uma citação no GuinnesBooks, o livro dos recordes, em 2001.
Idealizado pelo engenheiro Saturnino de Brito junto a um movimento liderado pelo poeta Vicente de Carvalho, o jardim começou a ser projetado em 1914. Vivia-se uma época de especulação imobiliária e para conter a expansão desordenada dos edifícios, surgiu a idéia de sua construção.
Então pergunto: o que podemos fazer para barrar esta atual especulação imobiliária, que está abafando o nosso ar, com edificações gigantescas e desenfreadas?

Nosso jardim conta com 719 canteiros entre eles, lírios amarelos (Hemerocalis flava) e brancos (Spathiphiphyllum sp), biris vermelhos (Canna indica), crisântemos brancos, amarelos e mesclados (Crysanthemum sp),. Como o solo não é propício ao cultivo de grande variedade de flores, usam-se folhagens coloridas para contrastar com os matizes de verde.
Levantamento botânico indica a existência de 1.746 árvores, das quais 943 são palmeiras de pequeno e médio porte, de 21 espécies diferentes. Das 803 árvores restantes, os chapéus-de-sol (Terminalia catappa) são responsáveis por mais de 90%.

Graças à idealização de Saturnino de Brito junto com o movimento criado pelo brilhante Poeta Vicente de Carvalho desfrutamos hoje um espaço de lazer e contemplação!
Será que algum poeta ou sonhador virá com uma idéia (enquanto há tempo) para salvar nossa cidade de Santos do caos imobiliário que se instala?
texto: ana rios
5 comentários »BANHEIRÃO DE SANTOS

Que responsabilidade escrever aqui.. Estava há varias semanas pensando em um tema para publicar nesse queridíssimo espaço multi criativo , mas confesso que, por varias vezes recuei as minhas idéias (acho que são complicadas o bastante para mim , imagino para os outros) além do que escrever não é uma tarefa nada fácil. Então como arquiteta e Santista (praieira e cerveja, odeio o Marcão por isso), hoje no banho, tive uma inspiração. Queria escrever sobre uma coisa que me incomode tanto quanto as bitucas de cigarros na porta dos bares (fumante, porem educada). Não poderia ter lugar mais inspirador que o banheiro para escrever sobre nossa cidade que, de uns tempos para cá anda perdendo a identidade.
Vocês já devem ter percebido que na nossa linda orla da praia, ao invés dos prédios tortos, existem os horríveis banheiros tortos. A maioria dos prédios (com exceção dos tombados! Salve o tombamento) estão perdendo sua identidade para se transformar em mais um banheirão. Como eu odeio essas pastilhas 10 x10!!! Coisa horrorosa.

Veja o exemplo dessa foto. Em uma casa as características originais não foram modificadas (porem também não foram conservadas) na outra transformou-a em um banheiro. Fico tentando achar uma resposta para isso: talvez ele não tenha tido acompanhamento de um profissional da área, talvez ele resolveu copiar a ultima moda da cidade (a cidade dos banheiros) , ou talvez ele tenha mal gosto mesmo e gosto não se discute…
Outra coisa que me incomoda bastante é trocar pastilhas antigas (que eu adorava brincar de boca de leão, q cor?) em bom estado de conservação pelas malditas pastilhas 10 x10!!! E como se o velho não pudesse ser recuperado, vamos jogar fora e fazer outro.

Infelizmente hoje em dia as pessoas pensam assim. É por isso que tudo, hoje em dia, é descartável! Porque o q é velho não serve mais. Por isso adoro usar a palavra ‘antigas’, adoro coisas antigas.. Mas esse é outro assunto.
Quanto ao meu banheiro?!? Não, não tem pastilhas 10 x10.
Até a próxima. (preciso ter outra idéia rápido)
Mari Preta
JOHN PIZZARELLI ENCANTA E EMOCIONA EM SANTOS

Pela segunda vez, minha coluna semanal aqui na Agência Urbana destaca o guitarrista e cantor americano JOHN PIZZARELLI, que fez no último sábado, dia 6, no Mendes Hotéis, um dos shows mais bonitos e emocionantes que passaram pela nossa cidade.
Louvável a iniciativa de duas Entidades Assistencias, o EDUCANDÁRIO SANTISTA e o ALBERGUE NOTURNO, que nos propiciaram a realização deste grande show.
Passo então a relatar os três dias vividos ao lado do JOHN e de seus cúmplices MARTIN, LARRY e TONY. Na sexta feira, por volta das 17 horas eles chegaram em Santos e numa operação rápida fizemos seu check-in no Mendes Hotéis e logo saímos para uma entrevista coletiva marcada para o Educandário Santista com a presença da imprensa e dos Diretores das Entidades envolvidas.
Foram duas horas de entrevistas. Depois, antes da saída, uma visita monitorada pelas dependências do Educandário Santista, que o encantaram. Ao final, agredecido pela chance de também ajudar ao próximo, JOHN confidenciou: “me senti muito bem aqui e estou rodeado de anjos”, que são os Diretores Alexandre Lopes e o Presidente Branco, que se destacam pelo seu trabalho voluntário para ajudar ao próximo.
Depois, jantar no Hotel por volta das 21 horas e no final um pedido especial de todos: “Queremos tomar um chopp” !!! E para São Vicente, mais precisamente na Ilha Porchat fomos ao Terraço Chopp. Todos se encantaram com a vista maravilhosa e óbvio não poderia faltar uma grande surpresa: uma canja do JOHN ao lado da banda que lá tocava. Beatles, e dois clássicos do rock and roll foram tocados para delírio de todos que puderam presenciar esta cena rara !!! Coisas que só a música pode proporcionar !!! JOHN chegou a literalmente rolar no chão de tanta alegria !!!
No sábado, o “sound check” aconteceu por volta das 16 horas e pouco mais de quarenta minutos estavam todos dando O.K. para o som, que por sinal ficou perfeito !!!
22h20 - JOHN PIZZARELLI na guitarra e vocais, MARTIN PIZZARELLI no contrabaixo, LARRY FULLER no piano e TONY TEDESCO na bateria subiram no palco para um dos shows mais encantadores e emocionantes que já assisti (e olha que sou absolutamente suspeito e parcial!). No repertório, baladas de Nat King Cole, Frank Sinatra, clássicos dos Beatles, muita Bossa Nova e grandes surpresas. Foi realmente uma noite inesquecível !!!
No Domingo, atendendo a pedidos de MARTIN & JOHN, confraternização final na Churrascaria Tertúlia, restaurante que JOHN considera o melhor do Brasil !!! Por volta das 17h00 as despedidas e retorno para São Paulo com destino ao Aeroporto de Cumbica para o vôo São Paulo - New York, “non stop”. Uma semana de descanso e uma nova turnê agora pelo Japão.
Santos mais uma vez mostrou sua importância. Recebemos um dos artistas mais respeitados e geniais da cena do JAZZ atual. Um privilégio !!! Uma honra !!!
Um Final de semana de gala !!! No ano que vem, com certeza, teremos mais !!!
Grande abraço e até a próxima semana !!!
Cássio Laranja
5 comentários »texto: cássio laranja.
DUCLERC E A FORTALEZA DA BARRA

fiz algumas postagens aqui sobre histórias de piratas que passaram aqui por santos. no último post desse tema, cada um cada um, a lu pediu para eu postar mais alguns.
numa dessas semanas passadas, foi publicada na veja uma matéria sobre a pirataria dos anos atuais. é o fim do mundo! uns somalis muito doidos com umas camisas masculinas tipo xadrez anos 80 enroladas na cabeça, nuns botezinhos todos estrupiados e armados com… rpgs!
fala sério? sequestram o navio inteiro, judiando de toda a tripulação. recebem a grana e saem, tranquilamente na bruma da madrugada, descansar para o próximo ataque. para enfrentar essa galera doida, os marines norte-americanos com tecnologia suficiente para, simultaneamente, dispararem 3 tiros certeiros e matarem 3 “piratas”, libertando o capitão sequestrado da vez.
lendo essas histórinhas mais antigas, remetendo ao barba-negra, cavendish, enfim… essa piratada toda tinha um pouco de, sei lá… ética. e, até um certo glamour, por assim dizer. glamour esse que fica anotado nos filmes, cartoons e literatura de referência. hoje, tá nojento.
quer ver? lá vai: mais uma historinha pra lu, que tava curtinho a piratada antiga e suas investidas contra nossa ilha querida.
(diretamente extraída do livro história de santos, 2ª edição, santos/sp, 1986)
Na história das incursões corsárias à antiga vila santista, não se pode deixar de incluir também a de Francisco Duclerc, o mal-aventurado comandante francês, que, vencido pelas malhas da guerra, acabou seus dias romanescamente, assassinado, ao que parece, no Rio de Janeiro, na própria casa que lhe havia sido dada para custódia, por um dos enciumados da sua simpatia pessoal, em um caso de amor: morte essa que custou ao Brasil, como a Portugal, centenas de preciosas vidas e alguns milhões de cruzados, trazendo a desgraçada conseqüência da expedição Duguay Trouin, o maior dos almirantes franceses, para vingar o assassínio do companheiro, sujeitando o Rio de Janeiro à vergonha da ocupação, a um terrível incêndio e a um pesadíssimo resgate.
Em setembro do ano de 1710, surgiram na barra de Santos seis naus de guerra e uma balandra de corsários, sob o comando do referido Francisco Duclerc. Não pudera ela entrar no porto do Rio de Janeiro, pela vigilância estabelecida pelo governador Francisco de Moraes, antecipadamente avisado da aproximação da armada francesa, e, assim, descera contra a Ilha Grande e dali sobre a vila de Santos, com o intuito de saltear e pilhar a praça.
Governava a Capitania de São Paulo e Minas o Capitão General Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, reputado o maior de todos os governadores coloniais da sua época, e era vedor da gente de guerra na praça de Santos o Provedor Thimóteo Correia de Góis.
Antonio de Albuquerque enviou instruções àquele Provedor e fez descer das Minas o Mestre de Campo Domingos da Silva Bueno à frente de 300 homens de combate e mais o Capitão Domingos Fernandes Pinto com outros 300 homens experimentados, cujo valor já era conhecido através dos agitados acontecimentos das Minas Gerais, os quais, reunidos às forças de Amador Bueno da Veiga, o famoso destruidor dos emboabas do rio das Mortes, e à gente de Thimóteo Correia de Góis, organizada na própria vila, fizeram a defesa de Santos em oposição à força atacante de Duclerc, apoiados pelo fogo da Fortaleza da Barra Grande, que não permitiu aos navios franceses a entrada no porto, como era intuito do seu comandante.
Duclerc, não podendo tomar o porto, foi derrotado nas areias de Santos e obrigado a retroceder precipitadamente, deixando a terra paulista, de onde foi para o Rio de Janeiro, à procura do lance histórico que lhe poria termo à vida.
viu?
sucesso,
marcão
CADA UM, CADA UM

e não é que a postagem dos piratas gerou papos? a turminha tem perguntado a diferença entre piratas e corsários.
pesquisando uma resposta mais bacanuda, encontrei outras informações complementares igualmente deliciosas. aí vão:
bucaneiro é a denominação dada aos piratas que infestavam as antilhas nos séculos XVI e XVII, bem como ao caçador de bois selvagens (do francês boucanier, de boucan, carne defumada). a razão do nome é que aventureiros europeus iam caçar bois selvagens nas antilhas (mais especificamente, em são domingos) para defumar-lhes a carne (numa grelha nativa denominada boucan) ou fazer comércio de peles. assim, já em 1578, jean de léry usa o termo significando carne defumada ou grelhada, seguindo-se anos depois a forma portuguesa mocaém, que gerou moquém, e os derivados moquear, moqueação, provavelmente também moquenca e moqueca. de boucan surgiu o verbo francês boucaner (grelhar), daí o substantivo boucanier, documentado em 1661/1671. na mesma época, aparece o inglês bucaneer ou bucanier, significando “caçadores franceses”, e em 1690 com o significado de “piratas das Índias ocidentais”. só na segunda metade do século XIX é documentado em português o termo bucaneiro. expulsos das bahamas pelos ingleses em 1629 e de san cristóbal pelos espanhóis em 1630, os bucaneiros aliaram-se aos piratas da ilha da tortuga e à frança, ocupando em seu nome o oeste de santo domingo em 1665.
corsário é o particular autorizado por seu governo beligerante (através de uma carta de corso) a dar caça às embarcações mercantes de uma nação inimiga, apresando-as e às suas cargas. o corso foi empregado entre os séculos XVI e XVIII pelas nações que não podiam enfrentar o poderio naval da inglaterra e da espanha. em certos casos, por força dos tratados assumidos pelos soberanos, essas autorizações eram dadas verbalmente a súditos leais, sem apoio documental, traduzindo-se na condescendência dos soberanos para com tais práticas. em tempos modernos, os submarinos alemães que atacaram navios mercantes aliados, nas duas grandes guerras mundiais do século X, podem ser classificados como corsários, o mesmo ocorrendo com algumas ações ocorridas na guerra civil espanhola, de 1936 a 1939. proveniente do latim cursus (significando viagem, marcha, de currere - correr, viajar, marchar), o termo cursarius é documentado no latim medieval em 1234 e gerou os italianos corsale e corsare (antes corsaro e corsario), o espanhol corsario, e também o francês corsaire, o provençal corsari e o português corsário, todos entre os séculos XIII e XVI.
flibusteiro é o nome dado ao pirata americano dos mares nos séculos XVII e XVIII (do francês flibustier, derivado do inglês filibuster, palavra por sua vez derivada do neerlandês vrijbuiter). no século XIX, designava certos aventureiros americanos que chefiaram expedições às antilhas e à américa do sul com o objetivo de saque. a palavra é uma composição de radicais conexos com os ingleses free (livre) e booty (butim), significando “o que pilhava livremente”, e origionou o holandês vrijbiter no século XV, e depois os termos ingleses freebooter (em 1570) e filibuster (em 1587), apesar do uso desta segunda palavra só se intensificar entre os últimos anos do século XVIII e meados do século XIX. paralelamente, de forma direta ou indireta, derivou do holandês o termo flibustier (francês, em 1667), que gerou o espanhol filibustero (em 1836) e o português flibusteiro (na segunda metade do século XIX). diferentes dos corsários, os flibusteiros só pilhavam navios espanhóis em alto-mar, usando para isso uma carta de corso qualquer, apenas como precaução.
pirata é o ladrão do mar, não se submetendo às leis do país nem às convenções internacionais, acometendo pessoas no mar ou na costa para se apoderar dos seus bens (do italiano pirata, palavra derivada do latim piratae e este do grego peirates). termo surgido nos fins do século XV e inícios do século seguinte, junto com o holandês piraat, o sueco e dinamarquês pirat e o alemão pirat. antes, porém, já eram registrados o francês pirate (em 1448) e o inglês pirate em 1426; o grego peiratés, oriundo do verbo grego peirãn (significando atacar, assaltar) e o latim pirãta, com sentido semelhante (ladrão do mar).
forbantes, vitualheiros (contrabandistas de vitualhas - víveres), vikings (reis do mar), gueux de mer, irmãos da costa (autodenominação dos piratas) são outros nomes dos piratas, segundo a história, que registra ainda uma advertência aos governantes descuidados: em 1066, o duque normando guilherme montou uma expedição contra a inglaterra, capturou-a e fez-se rei: foi o maior assalto de pirataria da história!
sucesso,
marcão
O CORSÁRIO GENTE BOA

continuando com as curiosíssimas histórias dos piratas aqui por santos, esse delicioso texto do historiador francisco martins dos santos, extraído da história de santos (2ª edição, santos/sp, 1986) e publicado no novo milênio, narra a passagem da esquadra do capitão edward fenton por essas praias. fique à vontade!
na manhã de 16 de dezembro de 1583, surgiu na barra de santos o pirata inglês edward fenton. trazia uma nau e dois galeões armados, transportando talvez duzentos homens de combate.
penetrando o porto, desguarnecido em toda a sua entrada, fenton despejou em terra alguma gente, mas sob o pretexto de fazer reparos em seus navios, que, de fato, estavam precisando de alguns consertos.
na vila procurou ele um inglês - john withall -, hábil mecânico e ferreiro que ali vivia de alguns anos àquela parte e que era genro de josé adorno, o homem mais abastado do lugar, senhor do antigo engenho são joão, de muitas propriedades e fundador das três capelas santistas: a de nossa senhora da graça, a de santo amaro e a de santo antonio de guaíbe. john withall conseguiu levar o sogro para bordo da capitânia da pequena armada, iniciando relações com os disfarçados corsários. “depois de tal visita, foi o almirante à terra ver um lugar onde o ferreiro withall pudesse erguer uma forja, e se colocassem os fornos portáteis para fundir as peças necessárias”.
até certo ponto, devido ao valioso apoio encontrado em withall, bem fácil ia sendo aos ingleses a insinuação entre os bons cidadãos da vila, mas “no dia seguinte foi withall a bordo dizer que os portugueses tinham mandado para fora as mulheres e fortificado a vila, pelo que aconselhava fossem os navios, imediatamente, ancorar diante dela”.
logo atrás dele, porém, “foram josé adorno e um português, estevan raposo, com a notícia de que, dentro em poucos dias, falaria o governador a fenton, podendo os ingleses, entretanto, prosseguir nos seus trabalhos de forrar de cobre os navios, carpinteirar, pescar e realizar as demais operações necessárias, mas que não exigissem forja nem fornos antes de terem visto o governador”
“convidou fenton estes hóspedes para o jantar, e, deixando-os na câmara, subiu a toda para consultar com os seus oficiais sobre se os reteria ou não prisioneiros. o vice-almirante ward representou que as suas instruções lhe proíbem empregar violência, exceto em defesa própria. o minion - ponderou ele - tinha aberto aqui um comércio que semelhante procedimento destruiria, tornando odiosos os ingleses, quando havia mais a ganhar com bons modos do que recorrendo à força. prevaleceu esta opinião, e, então, ofereceram-se presentes, de antemão preparados, aos dois visitantes, consistindo em pano preto fino a adorno, e, aos outros dois, três jardas a cada um para um gibão, e igual quantidade para o governador, porém escarlate e rosicler.”
mas, o mal que ward receava em conseqüência de um procedimento hostil, já as notícias havidas da expedição do famigerado drake o haviam causado, e, assim, todos os ingleses, de boa paz ou não, já eram antecipadamente mal vistos, quando não fossem francamente odiados, merecendo, de pronto, todas as desconfianças, sempre tomados como piratas disfarçados; de modo que pouco adiantou a diplomacia adotada por fenton a conselho do seu vice-almirante.
a esse tempo, um navio que fenton havia tomado anteriormente, já nas proximidades das águas de são vicente, e que após o saque fora deixado em liberdade, tomara, poucos dias antes, o rumo do estreito de magalhães, onde montava guarda, em nome da espanha, a esquadra do almirante dom diogo flores valez. bem para o sul, a gente do navio saqueado encontrou alguns navios daquela esquadra e transmitiu ao almirante a notícia de que fenton rondava a costa vicentina.
nessa ocasião, arribava a santa catarina uma esquadrilha espanhola, parte da armada de valdez, sob o comando de andré higino, e aí soube, este, “que os ingleses queriam estabelecer-se e fortificar-se naquela costa; que withall para isto os chamara; que andavam propalando que d. felipe estava morto e dom antonio estava de posse de portugal; e mais, que em nome da sua rainha faziam grandes promessas aos portugueses, com o fim de induzir o povo a acolhê-los”.
de fato, em santos, propalavam os ingleses a morte de dom felipe e mostravam aos habitantes um futuro risonho sob o protetorado da inglaterra, fantasias que todos repeliam, pela fé nos destinos de portugal e na próxima restauração do seu domínio recém-perdido. além disso, a “recordação ainda fresca das façanhas de drake, tudo tornava crível da parte dos ingleses”, e por isso abstiveram-se, todos, de estabelecer relações com a gente de fenton.
“senhor das informações sobre os corsários, encaminhou-se andré higino, em nome do almirante valdez, para o porto de santos, na esperança de encontrá-los, e apenas algumas horas fazia que adorno e o português estevan raposo se tinham retirado da capitânia de fenton, quando os navios espanhóis surgiram à boca da barra santista”.
não escapou ao povo a presença da esquadra amiga, pelo observatório do morro do vigia (monte serrate, antigo são jerônimo), e logo foi enviado um emissário ao encontro dos navios castelhanos, com a notícia de que os ingleses se achavam dentro do porto.
à noite desse mesmo dia (uma noite de luar, segundo varnhagen), entrou andré higino pelo estuário de santos, quase surpreendendo os ingleses, que ainda assim puderam travar combate e defender-se de modo eficiente e corajoso, mercê do seu ótimo aparelhamento de guerra. durou esse combate grande parte da noite, e, ao final, os navios de fenton conseguiram fugir, aproveitando o escurecimento da lua no avançado das horas, exceção do último, que foi abordado, tomado de assalto, com apreensão de toda a sua artilharia.
a atitude pacífica de fenton em sua estada no porto santista valeu-lhe o não ser perseguido pela esquadra espanhola, que, somente alguns dias depois, deixou o ancoradouro, para encontrar-se com o restante da grande armada.
foi, afinal, esse acontecimento que produziu, no espírito das autoridades castelhanas, a idéia de levantar-se uma fortaleza na entrada da barra santista, que impedisse, no futuro, passagem de invasores marítimos, pelo controle diurno e noturno do porto. isso foi feito no ano seguinte, de 1584, quando deu início a fortaleza da barra grande ou de santo amaro, que se aparelhou nos primeiros tempos com aquela artilharia tomada ao galeão de fenton.
lucas ward, vice-almirante da esquadra inglesa de fenton, como o próprio andré higino (em carta de 16 de fevereiro de 1584), também historiou a passagem naval de santos, fazendo uma terrível descrição da mortandade havida, referindo-se à salvação de um marselhês e de um grego, natural de zante, içados para bordo bastante feridos.
conta ele que, chegando ao porto como amigos, os ingleses entraram a parlamentar com os grandes da terra, convidando-os para uma reunião a bordo, aparecendo no dia seguinte josé adorno (então com 80 anos), estevan raposo, paulo de veras, todos senhores de engenhos locais, e mais alguns importantes, que foram banqueteados pelo almirante.
em sua retirada de bordo, foram-lhes prestadas continências militares, com salvas de artilharia, e, no dia seguinte, o mesmo almirante lhes remetia ricos presentes de sedas e veludos, como ao capitão-mor jerônimo leitão, presentes que lhe foram devolvidos intactos por adorno, com a informação de que a gente de santos não se corrompia com presentes e não se entendia com reconhecidos piratas. o velho adorno percebera a trama e assumia a única atitude compatível com o seu caráter, aconselhada por sua experiência de longos anos.
pouco depois, reza a descrição de ward, foi a bordo um inglês john withall, genro de adorno, para informar aos seus patrícios que deviam retirar-se do porto, pois a cidade estava em preparativos militares para expulsá-los em caso de negativa. apareceram de novo josé adorno, paulo de veras e estevan raposo, declarando ao almirante que partisse, porque o capitão-mor não permitia o seu desembarque e já se apresentava para combatê-lo. é nessa ocasião que surgem no porto santista (a 24 de janeiro de 1584) as naves de guerra de andré higino, e se desenrolam os fatos já descritos.
é esta, pois, uma das belas páginas históricas de santos, ligada, como tantas outras, à vida generosa de josé adorno, o principal dos fundadores não portugueses da cidade e uma das maiores figuras coloniais do brasil.
john withall é um elemento importante das histórias curiosas desta época santista. em 1581, ele era um pirata da Inglaterra, e integrara a tripulação do minion, como artilheiro, numa sortida pela costa do brasil. em santos, todavia, a entrada da nau inglesa fora cordial, terminando em negócios diversos, com a simpatia da população. withall, convidado por josé adorno, o mais rico industrial e comerciante da vila, que era também um de seus fundadores - ficou em seu engenho, graças à circunstância de ser um grande ferreiro. acabou sendo seu gerente, sócio e genro, pois que adorno lhe deu em casamento a filha única, pela altura de 1588 - “de preferência a dá-la a qualquer dos portugueses residentes na vila”, segundo expressão do próprio adorno.”
e aí? não é uma história sensacional?
parece que até as matanças dos tempos passados eram definitivamente mais romanticas, por absurda que essa frase termine por parecer.
e as tantas execráveis e inexplicáveis matanças hoje em dia? nem carece começar.
monte de gente burra!
sucesso,
marcão
SIM, PIRATAS!

nesta gravura de 1631 do gravador suíço matthäus merian, denominada “glorificação de willem van schouten”, nas imagens laterais são vistos francis drake, oliver van noord, thomas cavendish e joris van spilbergen, os principais saqueadores de nossa querida ilhota!
piratas, corsários, bucaneiros, flibusteiros. foram diferentes os nomes e bandeiras dos inúmeros ataques às então nascentes vilas de santos e são vicente. a história da pirataria internacional “começa ao amanhecer do Brasil, antes mesmo de existirem as cidades litorâneas de hoje, quando aventureiros de várias nações (muitas vezes tornados piratas ao azar), vasculhavam a costa brasileira em busca do pau-brasil, da pimenta, do algodão nativo, das raízes, das plumas e do próprio escravo indígena.
o tipo de pirataria foi se transformando e seu objetivo passava a ser a pilhagem declarada, o assalto a navios e a cidades sem defesa. o ouro, a prata, a moeda, a obra de arte transformável em massa metálica foram alvo dos corsários e flibusteiros em todo o atlântico, em pilhagens, resgates, moeda, metal, e em gado (para alimentação à bordo e revenda).
“santos não foi dos portos atlânticos mais visados pelo corso internacional, mas, ainda assim, pôde contar entre os seus indesejáveis visitantes grandes figuras daquele corso, como drake (que deixou menos notícias em nossos arquivos), fenton e ward, cavendish e cook, spilbergen e francisco duclerc, que levaram até mais tarde na escala do tempo os dramas anteriores sofridos pela gente santista, com as invasões de terra, promovidas pelos indígenas contrários até 1563″, diz ainda o historiador francisco martins dos santos, em sua obra história de santos, de onde são extraídos os principais relatos.
os principais episódios de ataques e pirataria aqui na ilha foram:
edward fenton, em 16/12/1583.
thomas cavendish, em 25/12/1588, 1590 e 1591
joris van spilbergen, em 1615
francisco duclerc, em setembro de 1710
é mole?
sucesso,
marcão.
APITA, COMANDANTE!

mesmo apaixonado incondicional por santos, insisto em chamar minha querida ilha de sucupira. lembram? zeca diabo, zé das medalhas e odorico paraguassú? então.
a roda também insistia em me chamar de radical, exagerado e até arrogante. eu digo que aqui proibiram manifestações artísticas na concha acústica; derrubaram o parque balneário; o clube quinze para fazer “aquele” edifício que, séculos depois, ainda nem ficou pronto; fizeram “esse” shopping na ponta da praia; fizeram “aquela” intervenção para “qualificar” o aquário municipal; proíbem grande parte dos eventos esportivos na orla da praia; vivemos a absoluta ausência de um bar de jazz, blues ou algo que valha e, o atendimento comercial (de varejo, principalmente) que é, digamos, super particular. entre outras coisas horrorosas.
tudo isso numa cidade que se pretende: turística.
por outro lado, nos últimos anos (faço questão de ressaltar: últimos anos) podemos contar com uma ciclovia deliciosa (perigosa pacas, mas deliciosa), uma iluminação urbana renovada, teatros cortiçados re-incluídos no circuito das apresentações de arte, internet free (wi-fi) em alguns (ainda poucos) spots urbanos, uma reforminha árida e meio “urbanismo 2, segundo semestre” no emissário submarino (mas que definitivamente “melhorou” o espaço quando da comparação aos outros tempos), a orla da praia (da minha adorada ponta da praia) preparada com equipamentos específicos para receber com dignidade TODOS os indivíduos, desde os com necessidades especiais até os portadores de carrinho de bebê e temporariamente engessados em geral) e o divertido bailão para os velhinhos bacanas da fonte do sapo. entre outros embriões de delícias.
dias atrás derrubei uma matéria do coletivo action aqui, para a agência urbana, por achar que a molecada estava “pegando pesado demais” com algumas dessas críticas (muito mais inflamadas) da nossa santos.
eis que leio no jornal a tribuna (depois de ser alertado pelo cássio) uma matéria com um título parecido com: apito dos navios divide opiniões.
explico: de tempos pra cá, cruzeiros curtinhos tem sido realizados pela nossa costa. uma mina de dinheiro com segmentação bem definida. desde quem curte muita tranqüilidade até quem curte muita putaria: tem pra todo mundo. acontece que esses belos naviozões muito iluminados saúdam os cidadãos com um apito.
apito esse que eu ouvia quando pequeno, minutos antes de ouvir do meu pai: “olha o navio, filho!”. mesmo sem conseguir vê-los, adorava imaginar exatamente o caminho que faziam.
o apito é grave. denso. curto. talvez pela gravidade ou densidade, ressoe dentro do peito. talvez, por isso, remeta sensações de ternura e muito, muito romantismo. é absolutamente lírico.
parte da minha família que mora no interior, voa para a janela daqui de casa quando do “apito” para ver o navio deslizando sereno pelas águas tranqüilas de nossa baía exibindo suas milhares de luzinhas e os inúmeros “flashes” dos passageiros, deliciados com vista tão particular da cidade.
daí que uma tal “ONG” que protege o meio-ambiente e o escambau, resolveu que o “apito” maltrata os bichinhos, os seres humanos e a paz pública.
à puta que o pariu! como bom santista que sou, vou à praia. sempre. toda santa vez que deixo a praia, até onde meus olhos alcançam, uma quantidade incrível de lixo se acumula. resultado de fumantes que destinam as cinzas e as bitucas para a areia; embalagem de comida de mercado; o saco do pastel; canudo da caipirinha; pratinho de plástico do milho: tudo na areia. bando de gente porca. isso, definitivamente faz mal pros bichinhos e para o ser humano. não o apito dos navios.
esse monte de bandidos que seqüestram; furtam celulares; te esperam sair do banco pra te levar o dinheiro; consomem e vendem maconha, cocaína, ecstasy, crack, LSD e todo o farto hall das proibidas; invadem tua casa e enchem de porrada teus pais e teus avós pra levar o quê? os 300 reais que já tinham conseguido antes de “resolverem” bater nos velhinhos?
esse monte de “cidadãos” que simplesmente INSISTEM em parar em fila dupla, em deixar o carro na frente de garagens, em trafegar no acostamento; em segurar o elevador por horas, em deixar tocar o celular em cerimônias e apresentações, em levar seus bichinhos para cagar no portão da casa dos outros (e, lógico, deixar tudo lá); em não reciclar; em sempre tentar “corromper” os policiais e autoridades com o velho-e-bom papinho: “pô, seu guarda. é rapidinho” ou ainda: “não tem outra forma de resolver isso?”; em estacionar o carro “um minuto só” nas pouquíssimas vagas destinadas aos carros adaptados para as pessoas que necessitam de tais adaptações, enfim… isso faz mal à paz pública, não os apitos dos navios.
fiquei um pouco menos irritado no final da tal matéria, ao ler que o prefeito e pelo menos grande parte do secretariado, em uníssono, acham o apito não só delicioso como também um verdadeiro privilégio do cidadão santista. hoje mesmo, também no jornal a tribuna, o flavinho amoreira, em seu reconhecido formato lírico-erótico-ultra-erudito, escreveu em sua coluna uma declaração de amor aos apitos de navios (eu prefiro interpretar como um texto de verdadeira repulsa aos incomodados). voilà! nem tudo está perdido.
a tal bem intencionada ONG, poderia pensar em escrever para algum jornal aí, do mundo, pleiteando acabar com os fogos de artifício nas comemorações do ano-novo em TODO O PLANETA! já imaginou? os cachorrinhos se escondem desesperados em cantos e tocas, tremendo, assustadíssimos com o barulho. ora, isso não estressa os bichinhos também? fala sério!
termino esse registro irritado deixando duas “dicas” para os incomodados:
primeira: visitem a obra de narciso de andrade, nosso imortal poeta santista dos ventos e da maresia. é presente dele um privilégio documentado em palavras (versos iniciais de “cais”) com as quais eu gostaria de expressar minha opinião pessoal sobre os apitos de navios:
“com tanto navio para partir, minha saudade não sabe onde embarcar.”
a segunda dica: procurem uma casinha em águas de lindóia, águas de são pedro, poços de caldas e adjacências. lá não tem navio. é uma tranqüilidade só para os bichinhos e para a paz pública, ó!
ilustríssimo senhor comandante: senta o dedo nessa porra!
sucesso,
marcão


