• PULA-PIRATA

droga, estou encrencado! pelo menos nesse momento, o tédio dos ‘7 mares’ me permite parar um pouco para contar um breve resumo da minha história na esperança de encontrar alguma ajuda nesse fim de mundo. claro que como todo bom pirata, a arte de escrever bem não faz parte das minhas habilidades, e isso não é nem um pouco engraçado nesse momento. entretanto tenho a sorte de ser um dos poucos alfabetizados entre os que navegam pelos oceanos, e nesse momento isso é bem… sei lá… levando em consideração que estou cercado de água a minha volta, dentro de um barril, somente com a roupa do corpo e com simples acessórios que incluem uma faca, um pedaço de papel, pena, tinta e uma garrafa de run (que nesse momento já está vazia), fazer qualquer coisa é melhor que nada.
enfim, a dúvida natural nessa ocasião é, como começo a minha mensagem de garrafa? hum, já sei…
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“Meu nome é Bob, pirata do návio ‘carcaça tenebrosa’. Entre os 7 mares sou mais conhecido como ‘Caolho Saltador’ pelo fato de ser responsável por fazer as pessoas andarem na prancha e saltar no mar.
A 2 dias fomos atacados por piratas rivais, nessa confusão toda até tentei me esconder dentro de um barril (não sou muito bom em lutas). Porém piratas em briga acertavam suas lâminas em meu esconderijo, o que achei um tanto perigoso. Por isso rapidamente sai desse barril, peguei um outro e pulei na água. Péssima idéia. Estou perdido aqui no meio do oceano e preciso de ajud…”
Perai, eu sou um pirata. As pessoas não gostam de piratas, ninguém irá me ajudar. Maldição! Cansei de… Ei, se minha visão não me engana aquilo é…
…uma ilha? ou seria uma núvem escura?
não sei se foi o último trago de run ou a inexistência do próximo que me faz alucinar ou aquilo lá é uma ilha.
ora, seja ou não é melhor do que nada. vamos em direção à ilha, núvem, sei lá. mas mãos à obra.
remar com as mãos no alto-mar dentro de uma barrica não é uma atividade muito simples e tampouco oferece retorno satisfatório. por um simples motivo:
braço esquerdo na água, mão em forma de conchinha, foooooorça…. e a barrica gira para a direita.
braço direito na água, mão (de novo) em forma de conchinha, fooooooorça… e a barrica gira para esquerda.
e nesse gira-gira eu, bob, fico tonto pacas. e nada de ir pra frente.
Querido Socorro,
Olá, sou um pirata bebedor de run perdido em um dos sete mares. Como pode perceber sou alfabetizado… Mas, pensando bem, não sei se isso me adianta muito… vivo no séc. 16, só os padres são alfabetizados e se um destes achar certamente agradecerá a Deus este meu fim. O que me resta então é usar minha criatividade já que a sorte nao tem sido minha aliada, do contrário não estaria pedindo socorro. É acho melhor contar com a criatividade, por isso a foto anexada acima explica exatamente minha situação e a localização este bordo…
Enquanto o socorro não chega pintarei os sete mares em meu barril com o que resta das tintas…
é realmente ficar a deriva nessa mar está me causando delirios ,até esqueci da ilha q tinha avistado…
mas gracas as correntezas meu barril atolou numa ilha!!!
Siimmm estou em terra!!!!!!!!! Ufa!!!
Estou morrendo de sede e de fome preciso procurar algo nesta ilha…
opa .. mas oq é aquilo? AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!
parece uma uva passa…
uma?
não, não pode ser! é o cansaço. isso tem no mínimo 100 vezes o tamanho de uma uva passa. mas tem o mesmo formato!
o que é?
[chego mais e mais perto] o que é?
é uma bola? uma bola comprida?
wilsoooooooooooooon!!!!!!!!!!!!!!
Wilson meu caro bucaneiro de longa data…a quanto tempo não dividimos uma boa garrafa de run…e…por acaso…será que vc não tem alguma ai escondida…quem sabe ai… atráz desta pedra onde vc está prostado…a sede e tão negra quanto as barbas do terrivel colega….arff…arff..[tento escapar de me engasgar com um punhado de areia]
…mas wilson continua imóvel…com um olhar perdido no horizonte…sigo seu olhar perdido e reparo que o mesmo se volta a uma gruta ao fundo da praia…será um esconderijo…contendo ouro e joias ou melhor uma garrafa de rum?!…me arrasto lentamente movendo a carcaça que me resta…quase restos mortais de um corpo que ja aferiu diversos golpes de espada mortais…dançou com as mais belas…e não tão belas mulheres em centenas de cais de porto pelos 7 mares…com dificuldade, chego a abertura do escuro tumulo esculpido na rucha pelas ondas…
…e, com dificuldade entro.
com o tempo os olhos se acostumam ao breu absoluto e alguns volumes começam a tomar forma.
linhas horizontais, pelo menos 5 linhas horizontais são fáceis de se observar. o cheiro é ligeiramente fétido, somente disfarçado pela maresia.
espero, paciente, e das linhas se apresenta certa profundidade como se… isso! prateleiras!
prateleiras?
um minuto mais e tudo se esclarece. cinco corpos de piratas dispostos para a posteridade como que num mausoléo. entendo que são piratas pelas roupas. o que sobrou dos corpos resume-se a ossos desmontados e oferecidos ao tempo e à maresia.
o que me resta senão vasculhar os corpos? rum, alimento… algo que me ajude a continuar vivo…
penso, enquanto isso: não tem como esses corpos terem vindo para cá sozinhos. ou teria?
concluo: ou tem mais alguém nessa ilha, ou eles se esconderam aqui para morrer, por algum motivo. o que pode significar que algo assustador vague por aqui.
o tempo vai passando bem como oque restou da veludo dos enormes casacos pelo meus dedos. sinto um calafrio percorrer meus gelados ossos quando, num dos bolsos do segundo corpo que examino encontro algo como um pequeno livro, muito úmido.
sem demorar, saio da rocha a procura de luz.
com cuidado tiro o bolor da capa. aos pouco consigo ler:
“Como sobreviver em uma ilha deserta após uma guerra em alto mar”.
Mas que MARAVILHA! Era tudo o que eu precisava, um guia de como sobreviver nesse fim de mundo.
Eu como um pirata bem do esperto, comecei a folhear o livro para ver se encontrava alguma coisa de útil.
Macacos me mordam!!! Logo na primeira folha está escrito em letras garrafais: “A PRIMEIRA COISA QUE VOCÊ DEVE FAZER AO CHEGAR NA ILHA É EVITAR ENTRAR EM LUGARES QUE SE PAREÇAM COM TÚMULOS ESCULPIDOS NA ROCHA PELAS ONDAS” fu…!!!
Então, eu enfiei o livrinho no bolso e saí correndo no meio da mata…Será que alguém teria me visto lá dentro?? Será que é uma emboscada?? Se não era para entrar, então como os corpos dos outros piratas estavam lá??
Já sei! Isso é uma armadilha!! Mas de quem? Quem será que habita esse maldito lugar dos infernos??
Quando menos esperava comecei a ouvir um barulho muito do esquisito surgindo no meio das gigantes árvores que faziam parte desse lugar…
Não pode ser…será que é o….
…meu deus! tomara que não seja…
mas esse barulho muito do esquisito não me deixa dúvidas, infelizmente. deve ser a cpdcsm! ai, estou perdido.
se eu pudesse imaginar a mais remota possibilidade de encontrar a cpdcsm, com certeza preferiria ficar vagando pelos oceanos na barrica e sem a menor possibilidade de uma garrafa de rum.
as histórias bizzaras da cpdcsm apavoram os altos mares e as noites de tempestade nas naus por centenas de anos. e agora eu estou aqui, cada mais vez perto do barulho muito do esquisito.
vou tentar descrever o barulho: são gritos medievais ritmados somados com gritos de dor e medo.
os métodos da cpdcsm fazem parte das partes mais terríveis das tais histórias…
a comunidade perdida dos canibais sem misericórida cozinha suas vítimas mas não permitem que elas morram. quando desmaiam, aí está pronto o banquete.
agora a questão é: não posso sair dessa praia. essa praia significa: aquele paredão de rochas lá, mais ou menos 250 metros daqui e a fenda com os cadáveres de piratas logo atrás de mim.
a coisa fica complicada: não basta eu nunca atravessar a linha de árvores… é também garantir que eles não venham para cá. isso até eu conseguir comida, rum e, é claro, dar o fora daqui.
preciso agora de um lugar seguro, elevado, de onde eu consiga ver antecipadamente a movimentação da cpdcsm.
o wilson novamente me chama a atenção, olhando para a fenda.
mesmo com muito medo, caminho rapidamente agachado até ele. os barulhos parecem aumentar e, instintivamente, me atiro ao chão.
espero, de olhos fechados, manual na mão. me acalmo rapidamente para poder ficar atento, no caso da presença de algum canibal da comunidade.
nessa movimentação, acabo ficando com a minha cabeça exatamente atrás do wilson. portanto, sou capaz de olhar da da mesma altura e posição dele.
na mesma direção da fenda, alguns metros acima, uma árvore de porte médio se apresenta, solitária no penhasco, indicando com certeza um espaço elevado, que, por menor que seja, é suficiente para abrigar a raiz.
tem que haver uma trilha ou linha de caminho para lá. durante esse momento de medo, com certeza é minha única chance.
enquanto procuro saliencias para subir pelas pedras, sinto que fico cada vez mais nervoso.
já não tem mais graça essa coisa toda de pirata, run, barrica, mar, etc. tô mais afins de conforto e roupas secas.
até que dá pra subir pelas pedras. vê só… se eu pegar aqui… unf… pisar nesse aqui, dobrar as pernas e empuraaaaaaaarfff com as cooooooxaaaaas aaaaaaaaa, isso! pronto. agora… e agora? pego onde? tá quente essa pedra, né? aqui não dá… aquele tá longe… se eu andar pro lado, passar pra esse [unf] aqui e… [unf] pegar… [aaaa] e pisar ali… um, dooooooois e…. angh! isso! boa!
raiz. peguei na raiz da árvore! respira… respira… pior é que não tem como dar impulso com a perna. a pedra tá fazendo curva… tem que puxar com o braço… tá, tem que puxar com o braço… foi como quando caí no mar no caribe. pega na rede, puxa no braço…
relaxa bem, bem, fzzzzzzzz, solta o ar, fzzzzzzzzzz… pescoço, relaxa bem… agora aperta direito. abre e fecha os dedos e sente bem a raiz… aperta bem… assim… só vai dar pra tentar uma… se murchar, acho que perco todo o progresso e dou com os cornos na areia… calma… fzzzzzz… solta o ar…
tão vai… um, dooooooooois…